26 agosto 2010

Em CEM SOLDOS






















Teimosa, uma vez mais... eu teimei que não queria ir.
Até tentei encontrar apoio entre amigos queridos (e que bom passar o fim-de-semana com vocês outra vez!)... mas não consegui.
Fui, porque tu querias muito... e eu pensei "Não sejas velha!" (que importancia pode ter um noite menos dormida?)



E tudo começou com "DANÇAS OCULTAS"
Música e dança e conversa entre 4 concertinas: Maravilhoso



E para terminar FAUSTO.
Cantar muito alto com ele (e contigo) "Navegar navegar Mas ó minha cana verde Mergulhar no teu corpo Entre quatro paredes ..." ou "Salto no escuro Entre os dentes trago a faca"
E pensar que aquela forma de sentir coragem, de ter garra, mas sempre sem perder humildade e o (seu) jeito tímido me faz bem, me faz ser melhor. Lembrar as coisas importantes.

17 agosto 2010

Intermitências



Quando chegaste às minhas camas eu já tinha ouvido falar de ti.
Super-mulher, com um AVC enorme há poucos anos... Depois de nem um movimento se perfilar num dos lados do teu corpo, recuperaras totalmente.
Agora um novo AVC, do outro lado do cérebro. Tão enorme como o primeiro.
Desta vez é que te quebrarias, pensámos.

E, nunca mais falaste, nunca mais mexeste, tiveste todas as complicações dos internamentos. Sempre mal, sempre a respirar mal...
No teu olhar sempre dureza, sempre fortaleza. Fujia dele. Incapaz de falar como falo com outros doentes que não falam. Sempre muito sóbrias e contidas, nós as duas.

Disseram-me muitas vezes que te mantinhas viva por minha causa. Sugeriram que parasse... mas eu já havia parado há algum tempo com todas as medidas heroicas, com a repetição das análises, com os antibióticos... terminava sempre os diários em "mantêm-se cuidados de conforto". Mas afligia-me, todos os dias lá estavas rija, agarrada à vida. E eu sem perceber porquê... mas não podia deixar-te, pois não? Todos os dias, as duas, só as duas.

Morreste no meu primeiro dia de férias.
E eu a ler o "Intermitências da morte".
Continuo sem perceber o que se passou, nem o que querias tu. Chateia-me não sentir o alívio que costumo sentir nestas situações.
Tens nome de sofrimento, nome de lição de vida.

06 agosto 2010

Festival "Águas infindas"


BEM FEITA PARA QUEM TEM A MANIA DE DIZER QUE EM COIMBRA NÃO HÁ NADA!
Estes foram os espectáculos a que fomos... pelas noites fomo-nos habituando aquele anfiteatro bonito ao ar livre.

17.07.2010
A rã e a truta: Quarteto de Cordas de Matosinhos + Pedro Burmester + António Augusto Aguiar

18.07.2010
Cantos à tona d’água: A Orquestra Metropolitana de Lisboa + coro sinfónico Lisboa Cantat

25.07.2010
Ondulações barrocas: Concerto Köln

23.07.2010
Tempestades e Bonanças: Orquestra Gulbenkian dirigida por Joana Carneiro, com a participação de Ana Quintans

31.07.2010
Menina do Mar: Beatriz Batarda + Bernardo Sassetti

Palavras


"Sabes que nestes casos está indicado..."
"Nesta patologia preconiza-se ..."
"Estudos/guidelines provaram..."


Estas palavras são incessantemente ditas na minha profissão.
Não sei se o que me enerva mais é serem sempre as mesmas palavras ou é aquela segurança com que a dizem... "aquela" que eu acho que nunca vou conseguir ter!!

Marrocos 2010



Mesmo quase a sair de férias outras vez, aqui deixo a nossa rota em Marrocos em Junho/Julho deste ano.
Disseram "o que importa é entrar no carro e deixarem-se ir... ir..."
Ainda assim não dispensámos alguns conselhos.
E não é que foram só surpresas e descobertas?!

Aconselho vivamente!

26 julho 2010

Boquiaberta


Tentaram convencer-me a fazer alguns turnos na privada, trabalho simples, apenas quando desse jeito, "só quando alguém estiver doente" ou "um de nós estiver de férias". Eu disse algumas vezes que não queria, sem mais. Mudámos de assunto.
Um pouco depois ele riu-se e disse... "Só acho piada vocês terem tentado convencê-la a ela, logo a ela." Pelo ar surpreendido dos outros ele continuou "É que ela é provavelmente a última pessoa que ia aceitar isso. Preza muito a qualidade de vida. Acho até que se alguém quisesse fazer as horas extraordinárias que ela faz aqui no hospital porque é obrigada, ela as daria feliz. Todas."

Sorri e concordei.
Não disse mais nada. Pouco tínhamos falado sobre essas coisas.
Falo pouco sobre mim e sobre as minhas opiniões. Acho que cada vez menos. Gosto de ser alegre companhia, rir e fazer rir, conversar sobre coisas e ideias, mas não sobre mim ou o que defendo... Chateiam-me as pessoas que defendem muito as suas opiniões, que falam muito delas, e sei que tenho tendência para ser demasiado afirmativa (chata, num tom que facilmente soa a crítica).
Fiquei a pensar... que ainda assim as pessoas percebem mais de mim do que eu poderia imaginar. Como aconteceu na oral do exame deste ano, descreveram-me e à forma como vivo a medicina de uma forma que eu nunca ali disse, mas sinto. Boquiaberta e comovida quase não respondi.


(pequena nota para o título... gosto desta palavra!)

Fotografia de Anthony Asael

15 julho 2010

Fúrias



Estávamos a duas quietas dentro do carro.
Mal estacionadas dentro do parque de estacionamento. Sem comprometer a circulação dos carros.
Falávamos as duas. As duas sem saber bem o que pensar. Um pouco perdidas. Longe daquele local, juntas.
Passou um carro vermelho, com uma rapariga mais nova que nós que abriu o vidro e disse:
"BELO SÍTIO PARA ESTACIONAR!!"
E parecia que cuspia aquelas palavras. Raivosa. Irritada. Como se aquilo fosse inaceitável, insuportável.
Comentei quieta "As pessoas parece que andam doidas, parece que põem agressividade em tudo o que fazem."
E tu (quem mais me ensina sobre os redondos gestos e a delicadeza) concordaste comigo, disseste como isso te deixava triste.

Não sei se temos insistido demasiado na importância de ter ideias, de defender posições, de não calar o que achamos incorrecto. Defendo tudo isso, mas a sensação que tenho é que estamos a chegar a um exagero, a uma desproporção. A escolha das palavras, a entoação, a expressão que pomos no que dizemos é que traz a força correcta aquilo que queremos defender. Pior, queremos cuspir e seguir caminho... não se fica para ouvir explicações.
E o problema é que se as pessoas se consomem nestes pequenos momentos, como dois carros que se cruzam e se ferem, fica pouca alegria, pouca esperança, pouca garra para o que é importante...

Ou estarei a exagerar?

Curto-circuito

















Hoje acordei a muito custo. Maior ainda que o habitual. Despertador (quem me dera que um dia deixassem de existir...)
O gato também havia acordado. Raspava na porta do quarto. Abri-lhe a porta. Deitei-me outra vez, ele também se deitou no meu colo. Adormecemos um pouco ainda...
Levantei-me. Os normais arrastados procedimentos da manhã.
Rua. Carro. Ruas... Estranhamente desertas. O primeiro pensamento "será que hoje é feriado e eu não soube?"
Estava atrasada na saída de casa e por isso olhei o relógio do carro. Pensei 8:24... mas vi de novo e o que lá estava era 7:24. Não... olhei para o telemóvel "Ah... (alívio) são 8:24!" (mas como é que o relógio do carro se desregulou?)
Reparei então no relógio da farmácia: 7:24.
Hum...

Lembrei
É que ontem o telemóvel caiu ao chão e ao acertá-lo para as 0:56 pensei um pouco contrariada... "é quase 1h"
E neste momento, nesta manhã, é que tive consciência que naquela altura havia escrito 1:56.

(enfim... 1h hora de avanço na chegada ao trabalho... dá para escrever posts!)

13 junho 2010

Le Premier jour du reste de ta vie



Triste e Sincero.
Magoado, por vezes.
Comovente e muito-muito Feliz.
Interpelador.
Sempre o bem-querer e o querer ficar-junto.
Música muito bonita.

As nossas vidas no cinema?
Não recomendo o filme, é muito do meu jeito (aquele jeito que por entre o triste o caos procura incessantemente beleza), será arriscado recomendar, mas diria que quem gosta da palavra "Família" (mas Família mesmo, não coisa "perfeita" que isso não existe e nem se pretende) terá qualquer coisa a ganhar.


Realizador: Rémi Bezançon

Les herbes folles
























Uma boa experiência de grande ecrã.
Muito a propósito de um passeio de avioneta nos ares de Coimbra, surpresa muito inesperada (gosto desta palavra, diz mesmo que são coisas que "eu mesmo eu" não espero) de dia de anos.
Mas neste filme faltou fazer sentir qualquer coisa que mexesse aqui dentro.
Ainda assim intrigante e doido.

Realizador: Alain Resnais

25 abril 2010

PARE, ESCUTE, OLHE



Eu quis muito ir à linha do Tua.
E ninguém queria ir.
Tu disseste logo que sim, mesmo-mesmo no início da nossa história juntos. Fomos e Trás-os-montes, quente e verde, sincero e genuíno, acolheu-nos.
Sempre gostei de comboios, mas aquela linha tem mais qualquer coisa!

Ontem, no CAE na Figueira-da-Foz, vimos o documentário "Pare, escute, olhe" de Jorge Pelicano. Tínhamos já ouvido uma reportagem na Antena 1. Prometemos ir.
E fomos.
E ri-se. E entristece-se. E comove-se. E dá uma raiva cá dentro daqueles políticos (sim, têm nome: Mota Andrade, José Sócrates, Cavaco Silva) que em nome de um progresso bacoco e mentiroso destroem o Tua... e o resto do nosso património interior.

No site http://www.pareescuteolhe.com/ podem enviar uma carta de apelo aos deputados.

21 abril 2010

Morte



Quem mais sabe de mim enviou um texto do Público.
Terá dito Daniel Serrão:
"Para ajudar a pessoa que está em processo de morrer, o médico não tem de morrer. Aliás, o médico não pode morrer com cada doente seu que morre. Como não pode, por ainda ter medo ou angústia em relação à sua morte, investir em tratamentos fúteis ou inúteis na convicção que eles evitarão a morte do doente."

E tenho pensado muito nisto.
Um doente muito jovem a quem tive de acompanhar na morte... e essa morte antecipada na família. Houve 2 dias em que evitei ser eu a fazer-lhe a visita de manhã. Houve um dia em que decidi: a partir de agora farei sempre eu a visita.
E custa. Custa muito. E no entanto não acredito que se aprenda isto em aulas de anfiteatros, sinceramente eu não quero aulas sobre isto!
Mas também não quero o que ele passou... o acompanhamento amador. Eu e ele e a família a fazer o melhor que conseguíamos...
Como não morrer também sem me tornar um bloco de gelo?

"É por isso (..) que o médico, tem de aprender a colocar-se "na situação do doente, de experimentar a vivência interior que o doente tem do seu estado e de, a partir daí, viver com o doente e nos problemas do doente"; isto ao mesmo tempo que aprende, num equilíbrio precário, a proteger-se "do desgaste emocional excessivo". E isso dói? "Dói", assente Daniel Serrão. "Mas é preciso que o aluno passe por essa dor, um pouco misteriosa, de acompanhar o outro que morre, para que resolva a questão da sua própria morte, fazendo uma espécie de luto antecipado por si próprio."

Um doente mais velho que está vivo mas que está de dia para dia mais próximo do fim.
A tabela de medicamentos encolhe também de dia para dia...
"Devem ser prestados todos os cuidados de conforto. Dieta a gosto".
Escrevi eu (magoada) no cimo da tabela.
Espero. Espera ele. Luto antecipado.

Silêncio.

07 abril 2010

Amor e Liberdade






















Amor e Liberdade.
E o resto não interessa mesmo nada...
Aprendi com este livro. E faltam-me as palavras para falar de "Capitães da areia", ficam presas na garganta.

19 março 2010

Anaquim



No TAGV, um concerto que eu na preguiça e no sono quase que perdia.
Fica a vontade de ler letra por letra.
Hoje o CD já faz parte da nossa casa.

Muito bonita a "bocados de mim"
Dueto com Ana Bacalhau muito bom "o meu coração"
(ouve-se mais AQUI)

Chuva


Em vésperas de primavera...
Dizem ser o ano de mais chuva dos últimos dez anos...
Não resisti mais e comprei um!

21 fevereiro 2010

domingos de manhã













muito bom para começar um domingo, sim.
"quem é ela, quem ela"

13 fevereiro 2010

Cortinas






















- Precisa de ajuda?
- (sorrio atrapalhada) Não, não. Obrigada. Estou só a ver."
E um pouco inquieta fico sempre desconfortável... porque têm sempre de vir ter comigo? Não gosto de ter de falar antes de ver, gosto de procurar sozinha... é assim também nas estradas e caminhos. Acho que faz parte dos meus necessários silêncios.

Depois, habitualmente insistem:
- Será que não posso mesmo ajudar?

E eu digo, um pouco condescendente com a vontade daquela pessoa em fazer bem o seu trabalho, ainda que contra a minha manifesta vontade.
- Sabe, procuro uma cortina. Grande porque a janela é grande. Tem de dar privacidade, porque é perto de um jardim onde podem passar pessoas. Mas também não pode tirar a luz, porque eu não quero mesmo perder a claridade.

E olham para mim com olhar esquisito. (Mostram montes de coisas e eu aponto sempre o ponto em que não cumpre o que pedi.)
Fico quieta. Já na rua penso que aquela cortina podia bem ser uma descrição de como sou com os outros. Nem sempre fácil.

gestão


Lembro-me às vezes.
Faço-me lembrar mais vezes quando a tentação aperta...

"Não arranjar despesas que me obriguem a trabalhar mais."

é que tenho um emprego em que se pode trabalhar mais para ganhar mais.
mas eu não quero!
é difícil viver com pouco (o necessário... é difícil definir isto) quando parece que é susposto vivermos com o máximo.

01 janeiro 2010

Novo ano Nova casa




Na fúria dos caixotes, dentro de casa, nem tinha reparado.
Desci ao aparcamento para ver.
E eram 6 carros, com 6 homens (entre amigos e família) a carregar.
E carregavam com força e método.
Por cima deles um luar quase cheio.

Eu senti-me dentro de um filme.
Dentro dos carros, a nossa casa.

A casa nova...
Como sempre quis ter uma e nunca pensei encontrar. Andei um dia baralhada a pensar que o que eu queria era uma casa nova e muito fashion... mas não, ao 2º dia de procura, na 13ª casa encontrámos a NOSSA CASA! Não tivemos dúvida alguma. E sem mover 1 cêntimo ao orçamento de renda que tínhamos definido.
Até o chão combina com o gato Botas!

22 novembro 2009

Icamocamé!



Desde minúsculo que conheces os animais quase todos e sempre que te acrescentamos um novo tu aprendes logo. E logo nos pedes o som que esse animal faz. E não te contentas com qualquer parvoíce que inventemos, temos de te convencer!

Então vá-se lá entender porquê... insistes em chamar ICAMOCAMÉ a estes animais!
E agora já te ris, já sabes que não é assim, mas sacanita dizes contente: ICAMOCAMÉ!!



Suspeito que esta mãe também está como a tua hoje...

16 novembro 2009

Éden à L' Ouest



Éden à L' Ouest
Realizador: Costa-Gavras


Filme de viagens e teimosia.
Filme cheio daquelas pessoas que encontramos em viagem, e que sem qualquer razão razoável nos ajudam e consolam muito mais do que imaginam.

3 Cantos



Explicaste-me assim...
Vês como eles se sentam de forma diferente?
O Sérgio é o mais descontraído. Pernas à banda.
O Zé Mário Branco, perna cruzada, é mesmo intervenção.
O Fausto senta-se mesmo com a postura técnica de guitarrista, concentrado.
Vês como eles são diferentes? (escreves isso no blog? sorriste azul)

E aprendi contigo. Aprendi com eles. Cantei contigo. E com eles.
É como se um fôlego muito grande entrasse. Coragem.

Música na cabeça



Muito, muito ao meu jeito.

The Brothers Bloom
Realizador: Rian Johnson

Sorte


Tive a sorte de crescer tranquila.
Tive a sorte de crescer entre pessoas raras.
Raras mesmo.
Não me lembro de sentir ansiedade sobre mim, crescer foi um tempo aberto, livre.
Sempre soube que as minhas idiossincrasias, por mais desastradas, distraídas, teimosas ou frágeis tinham lugar para existir, sem que esperassem que eu fosse de outra forma.
Vejo muito adultos falarem dos filhos como se eles se substituíssem a si próprios ou ao casal, como se as qualidades deles fossem sua obra ou um qualquer prolongamento do seu orgulho, ou ainda como se qualquer pequeno imprevisto pudesse ter uma importância desastrosa sobre as crianças. Que raio...
Ouvi vezes sem conta que tinha a obrigação de dar o meu melhor, mas que existiriam sempre outros melhores que eu, e até com bem menos esforço.
E se custa ouvir isto...

Os casais que mais gosto falam pouco de si. Transparecem apenas.

10 outubro 2009

Receber (alguma coisa)

Herdei dois objectos do meu avô Mateus.
Dois objectos, e eu não tive nada a ver com a sua escolha. Nem o meu avô.

1) a caixa de ferramenta amarela (vazia, que o avô também não me ofereceria cheia, as ferramentas devem ser escolhidas por cada um, conforme o seu jeito e segundo (sempre) as suas necessidades (e não mais).

2) a máquina de escrever (gasta, com letras a sumir-se. que a minha avó já me explicou que ele colocava, à noite, em cima de uma mesa, com o candeeiro de óleo ao lado, para passar a limpo teses de alunos e professores... para ganhar um pouco mais de dinheiro)


Eu não escolhi. Ele não escolheu.
(mas outras pessoas sabiam que nem eu, nem ele, escolheríamos outras coisas que não estas duas!)























figos e jeropiga, também me lembrarão sempre de ti