16 outubro 2010

Sábado

Sábado.
Banho e almoço.
Conversas com a Isabel.
Estudo, lento, costas ao sol.
2 sopas feitas.
Estender a roupa (correr e apanhar o Botas que saltou janela fora)
Estudo outra vez.
Sabe bem voltar a ouvir. Conhecer melhor:


















Leonard Cohen


Simon & Garfunkel

15 outubro 2010

A balança













Eu estava a achar piada ao jeito dela.
Aquilo não se tratava de nada mais do que uma avaliação pré-entrada no ginásio.
Ambas com a mesma idade. Falávamos tranquilamente.
Ela fazia as perguntas e eu respondia (acho sempre graça estar do outro lado da consulta, sentir um certo desconforto...)
Fez medidas. Pesou-me numa balança de impedância e surpreendeu-se com o resultado. Sussurrou "esquisito".

Depois explicou-me o resultado (por sinal igual ao mesmo "exame" que fiz no ano passado numa balança daquelas lá do hospital).
É que o ideal é ser 5 (uma relação qualquer entre massa gorda/magra).
E eu sou 8...
E o 8 significa que eu tenho massa gorda a menos... os meus 19% de massa gorda são os responsáveis pelo mau resultado de 8. Sorrimos as duas. Ela prometeu ir estudar o meu caso para casa, "Sabe, isto não é muito habitual."

Pensei em brincar, dizendo que então devia era ir comer em vez de fazer exercício, mas não brinquei. Respeitei o trabalho, a dúvida, o esforço dela.
Curiosa por saber como vamos descalçar a bota de como defino o meu 8: pouca, mas mal distribuída gordura!

10 outubro 2010

Manias minhas

Tenho uma relação possessiva com a comida.
Por isso mexerem no meu prato, roubarem um cogumelo, uma ameijoa... o que for, é um caso sério!
Pior ainda se for uma batata frita!



As batatas fritas lembram-me o jeito com que a avó e as tias diziam o meu nome seguido de "Hoje há batatas fritas!!" Aquela frase era para mim, PARA MIM! O que fazia sem dúvida aquele cuidado de fazer batatas fritas um pouco mais para mim do que para os outros primos todos. Foi certamente a minha alegria que perpetuou aquela frase, a mim dirigida, durante tantos anos.
















Em casa da minha (melhor) amiga... (eu só tive uma melhor amiga, por respeito e carinho a ela nunca consegui chamar isso a outra - por mais amiga que fosse, por muitos anos que passassem sem ver a designada melhor amiga) a mãe dela, dizia o meu nome seguido de "Hoje há mousse de chocolate!!!" E eu encantada! Tão feliz que aquela frase era sempre para mim, nunca a ouvi dizer aquilo a mais ninguém. Só podia fazer da mousse mais minha do que dos outros meninos e meninas de todas aquelas festas.



Nunca gostei de leite creme. Mas há uns dias apeteceu-me. E soube-me tão bem, que entretanto acho que já conto mais 4!!
E ai de quem me roube uma colher!! Mordo.

21 setembro 2010

Festa do Avante

O Miguel Esteves Cardoso, com quem eu antipatizo um bocado... foi ao AVANTE.
E quem estiver curioso que leia um pouco do que ele escreveu:






















"As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.
É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.
A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.
Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.
Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhes devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.
(...)
Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso.
Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias.
(...)
Há um prazer na teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas, comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. De Portugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têm muito mais do que alguma vez poderiam precisar.
NA FESTA DO AVANTE! Sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia.
Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem em causa as desculpas correntes da apatia. Do ensimesmamento online, do relativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficaz de resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença."

Artigo de Miguel Esteves Cardoso para a Sábado em 2007.



Já queria escrever desde a Festa, sobre a Festa.
Mas faltavam-me as palavras. Gostei em especial destas do artigo (enorme, diga-se!)
O que senti lá na Festa é que FALTAM-ME estes momentos para perceber o que é importante, para levar uma lambada e ver que o meu dia-a-dia anda tão entretido em coisas de menina privilegiada.

Respira-se liberdade e garra ali.

13 setembro 2010

Estar perto












Ele e ela já tinham falado.
Vinham encantados de lá. Com os pormenores. Com o verde e a paz daquele lugar. Com o jeito da dona da casa.
Já tínhamos (um de cada vez) tentado... mas não podia ser, não tinham quartos disponíveis.
Mas desta vez sim. Tu marcaste. Fomos os dois.
E gostámos tanto daquela quinta, da água a correr, dos espelhos que se espelham uns aos outros, da elegancia e do bom gosto da casa.
Foi bom ouvir e sentir "Façam como se estivessem em vossa casa, é assim que funcionamos aqui."
E tu disseste-lhe que eu tinha ficado com vontade de viver assim também... E era mesmo verdade!
Ela explicava: Quero podar, podo. Quero dormir, durmo. Apetece ler, leio.
(não será sempre assim, claro, mas é essa parte da vida que ela valoriza, que ela agarra, que ela transmite...)
Conversas sobre sabedoria e serenidade.
Nadar e ler (ao sol ou à sombra) passear.

No final, só no final, dissemos-lhe que tinha sido um casal amigo a recomendar-nos aquela casa.
Ela surpreendeu-se e disse... "Ah...! Não me digam... vocês têm-me lembrado muito um casal que aqui esteve!" Estava incrédula.
Depois, enquanto nos encaminhava pela sua casa bonita até a um livro, disse: "Esse casal escreveu aqui um texto, e eu leio-o muitas-muitas vezes. Não estou a acreditar..."
Folheava distraída o livro sem olhar para ele. E eu em um segundo disse imediatamente "São estes!" (reconheci a letra da minha queria L).
Ela ficou boquiaberta.
Disse... "São estes sim, foi deles que me lembrei nestes dias aqui convosco.
Diga-lhes que leio este texto muitas vezes, especialmente nos dias em que estou mais "xururu", faz-me tão bem..."

À L e ao A
Amigos queridos. Ligações.


A dona da casa ficou com vontade de conhecer a pequena A também.

07 setembro 2010

Cambatango


E assim foi.
Deliciada a ouvir sentada no chão de erva daquele palco.
E assim comprei o CD e assim oiço-oiço-oiço.
Cambatango - "Cómo Querés Que Te Quiera" OUVIR AQUI

"Fundado em 2006, no bairro de Palermo, em Buenos Aires, este novo grupo de tango, depressa se destacou na cena musical argentina, sendo brindado com uma nomeação para os prémios Carlos Gardel. A Lucas Sterin e Ariel Saldivar (violas), fundadores do grupo, juntou se Carolina Cajal uma fantástica contrabaixista da Orquestra da Escola de Tango Emilio Balcarce, e Koji Hirata (bandoneon).
Após alguns espectáculos, e tendo por argumento que alguns tangos tinham letras demasiado boas para serem esquecidas, procuraram uma voz. A cantora Ruth de Vicenzo, baptizada pela imprensa como “ a voz de veludo”, cumpria todos os requisitos, mantendo-se fiel ao estilo dos anos 30 e 40 quando o vocalista não era o líder que a banda tinha de seguir, mas um dos seus instrumentos."

31 agosto 2010

Serra da Estrela














Foi naquela estrada que se vê ali à direita.
No lugar de trás da mota.
Num fim-de-semana de mota, a pé, a nado... pela Serra da Estrela.
Foi ali naquela estrada.
No lugar de trás da mota que eu pensei "é que não trocava isto por nada desta vida!!!"
Venham os hoteis caros, venham as viagens longínquas, os carros, as roupas, as COISAS todas que o dinheiro consegue... Não trocava, não trocava pelo que senti ali!

(de mota, de pousada de juventude, de 1 dose a dividir por 2 - bem recheada de simpatia, de pés na água muito fria só porque apetecia, de banho mais à frente no Zêzere ou no Alvoco - há quantos anos não ia a Vide? - de subidas a pé ao monte lá longe.)

26 agosto 2010

Em CEM SOLDOS






















Teimosa, uma vez mais... eu teimei que não queria ir.
Até tentei encontrar apoio entre amigos queridos (e que bom passar o fim-de-semana com vocês outra vez!)... mas não consegui.
Fui, porque tu querias muito... e eu pensei "Não sejas velha!" (que importancia pode ter um noite menos dormida?)



E tudo começou com "DANÇAS OCULTAS"
Música e dança e conversa entre 4 concertinas: Maravilhoso



E para terminar FAUSTO.
Cantar muito alto com ele (e contigo) "Navegar navegar Mas ó minha cana verde Mergulhar no teu corpo Entre quatro paredes ..." ou "Salto no escuro Entre os dentes trago a faca"
E pensar que aquela forma de sentir coragem, de ter garra, mas sempre sem perder humildade e o (seu) jeito tímido me faz bem, me faz ser melhor. Lembrar as coisas importantes.

17 agosto 2010

Intermitências



Quando chegaste às minhas camas eu já tinha ouvido falar de ti.
Super-mulher, com um AVC enorme há poucos anos... Depois de nem um movimento se perfilar num dos lados do teu corpo, recuperaras totalmente.
Agora um novo AVC, do outro lado do cérebro. Tão enorme como o primeiro.
Desta vez é que te quebrarias, pensámos.

E, nunca mais falaste, nunca mais mexeste, tiveste todas as complicações dos internamentos. Sempre mal, sempre a respirar mal...
No teu olhar sempre dureza, sempre fortaleza. Fujia dele. Incapaz de falar como falo com outros doentes que não falam. Sempre muito sóbrias e contidas, nós as duas.

Disseram-me muitas vezes que te mantinhas viva por minha causa. Sugeriram que parasse... mas eu já havia parado há algum tempo com todas as medidas heroicas, com a repetição das análises, com os antibióticos... terminava sempre os diários em "mantêm-se cuidados de conforto". Mas afligia-me, todos os dias lá estavas rija, agarrada à vida. E eu sem perceber porquê... mas não podia deixar-te, pois não? Todos os dias, as duas, só as duas.

Morreste no meu primeiro dia de férias.
E eu a ler o "Intermitências da morte".
Continuo sem perceber o que se passou, nem o que querias tu. Chateia-me não sentir o alívio que costumo sentir nestas situações.
Tens nome de sofrimento, nome de lição de vida.

06 agosto 2010

Festival "Águas infindas"


BEM FEITA PARA QUEM TEM A MANIA DE DIZER QUE EM COIMBRA NÃO HÁ NADA!
Estes foram os espectáculos a que fomos... pelas noites fomo-nos habituando aquele anfiteatro bonito ao ar livre.

17.07.2010
A rã e a truta: Quarteto de Cordas de Matosinhos + Pedro Burmester + António Augusto Aguiar

18.07.2010
Cantos à tona d’água: A Orquestra Metropolitana de Lisboa + coro sinfónico Lisboa Cantat

25.07.2010
Ondulações barrocas: Concerto Köln

23.07.2010
Tempestades e Bonanças: Orquestra Gulbenkian dirigida por Joana Carneiro, com a participação de Ana Quintans

31.07.2010
Menina do Mar: Beatriz Batarda + Bernardo Sassetti

Palavras


"Sabes que nestes casos está indicado..."
"Nesta patologia preconiza-se ..."
"Estudos/guidelines provaram..."


Estas palavras são incessantemente ditas na minha profissão.
Não sei se o que me enerva mais é serem sempre as mesmas palavras ou é aquela segurança com que a dizem... "aquela" que eu acho que nunca vou conseguir ter!!

Marrocos 2010



Mesmo quase a sair de férias outras vez, aqui deixo a nossa rota em Marrocos em Junho/Julho deste ano.
Disseram "o que importa é entrar no carro e deixarem-se ir... ir..."
Ainda assim não dispensámos alguns conselhos.
E não é que foram só surpresas e descobertas?!

Aconselho vivamente!

26 julho 2010

Boquiaberta


Tentaram convencer-me a fazer alguns turnos na privada, trabalho simples, apenas quando desse jeito, "só quando alguém estiver doente" ou "um de nós estiver de férias". Eu disse algumas vezes que não queria, sem mais. Mudámos de assunto.
Um pouco depois ele riu-se e disse... "Só acho piada vocês terem tentado convencê-la a ela, logo a ela." Pelo ar surpreendido dos outros ele continuou "É que ela é provavelmente a última pessoa que ia aceitar isso. Preza muito a qualidade de vida. Acho até que se alguém quisesse fazer as horas extraordinárias que ela faz aqui no hospital porque é obrigada, ela as daria feliz. Todas."

Sorri e concordei.
Não disse mais nada. Pouco tínhamos falado sobre essas coisas.
Falo pouco sobre mim e sobre as minhas opiniões. Acho que cada vez menos. Gosto de ser alegre companhia, rir e fazer rir, conversar sobre coisas e ideias, mas não sobre mim ou o que defendo... Chateiam-me as pessoas que defendem muito as suas opiniões, que falam muito delas, e sei que tenho tendência para ser demasiado afirmativa (chata, num tom que facilmente soa a crítica).
Fiquei a pensar... que ainda assim as pessoas percebem mais de mim do que eu poderia imaginar. Como aconteceu na oral do exame deste ano, descreveram-me e à forma como vivo a medicina de uma forma que eu nunca ali disse, mas sinto. Boquiaberta e comovida quase não respondi.


(pequena nota para o título... gosto desta palavra!)

Fotografia de Anthony Asael

15 julho 2010

Fúrias



Estávamos a duas quietas dentro do carro.
Mal estacionadas dentro do parque de estacionamento. Sem comprometer a circulação dos carros.
Falávamos as duas. As duas sem saber bem o que pensar. Um pouco perdidas. Longe daquele local, juntas.
Passou um carro vermelho, com uma rapariga mais nova que nós que abriu o vidro e disse:
"BELO SÍTIO PARA ESTACIONAR!!"
E parecia que cuspia aquelas palavras. Raivosa. Irritada. Como se aquilo fosse inaceitável, insuportável.
Comentei quieta "As pessoas parece que andam doidas, parece que põem agressividade em tudo o que fazem."
E tu (quem mais me ensina sobre os redondos gestos e a delicadeza) concordaste comigo, disseste como isso te deixava triste.

Não sei se temos insistido demasiado na importância de ter ideias, de defender posições, de não calar o que achamos incorrecto. Defendo tudo isso, mas a sensação que tenho é que estamos a chegar a um exagero, a uma desproporção. A escolha das palavras, a entoação, a expressão que pomos no que dizemos é que traz a força correcta aquilo que queremos defender. Pior, queremos cuspir e seguir caminho... não se fica para ouvir explicações.
E o problema é que se as pessoas se consomem nestes pequenos momentos, como dois carros que se cruzam e se ferem, fica pouca alegria, pouca esperança, pouca garra para o que é importante...

Ou estarei a exagerar?

Curto-circuito

















Hoje acordei a muito custo. Maior ainda que o habitual. Despertador (quem me dera que um dia deixassem de existir...)
O gato também havia acordado. Raspava na porta do quarto. Abri-lhe a porta. Deitei-me outra vez, ele também se deitou no meu colo. Adormecemos um pouco ainda...
Levantei-me. Os normais arrastados procedimentos da manhã.
Rua. Carro. Ruas... Estranhamente desertas. O primeiro pensamento "será que hoje é feriado e eu não soube?"
Estava atrasada na saída de casa e por isso olhei o relógio do carro. Pensei 8:24... mas vi de novo e o que lá estava era 7:24. Não... olhei para o telemóvel "Ah... (alívio) são 8:24!" (mas como é que o relógio do carro se desregulou?)
Reparei então no relógio da farmácia: 7:24.
Hum...

Lembrei
É que ontem o telemóvel caiu ao chão e ao acertá-lo para as 0:56 pensei um pouco contrariada... "é quase 1h"
E neste momento, nesta manhã, é que tive consciência que naquela altura havia escrito 1:56.

(enfim... 1h hora de avanço na chegada ao trabalho... dá para escrever posts!)

13 junho 2010

Le Premier jour du reste de ta vie



Triste e Sincero.
Magoado, por vezes.
Comovente e muito-muito Feliz.
Interpelador.
Sempre o bem-querer e o querer ficar-junto.
Música muito bonita.

As nossas vidas no cinema?
Não recomendo o filme, é muito do meu jeito (aquele jeito que por entre o triste o caos procura incessantemente beleza), será arriscado recomendar, mas diria que quem gosta da palavra "Família" (mas Família mesmo, não coisa "perfeita" que isso não existe e nem se pretende) terá qualquer coisa a ganhar.


Realizador: Rémi Bezançon

Les herbes folles
























Uma boa experiência de grande ecrã.
Muito a propósito de um passeio de avioneta nos ares de Coimbra, surpresa muito inesperada (gosto desta palavra, diz mesmo que são coisas que "eu mesmo eu" não espero) de dia de anos.
Mas neste filme faltou fazer sentir qualquer coisa que mexesse aqui dentro.
Ainda assim intrigante e doido.

Realizador: Alain Resnais

25 abril 2010

PARE, ESCUTE, OLHE



Eu quis muito ir à linha do Tua.
E ninguém queria ir.
Tu disseste logo que sim, mesmo-mesmo no início da nossa história juntos. Fomos e Trás-os-montes, quente e verde, sincero e genuíno, acolheu-nos.
Sempre gostei de comboios, mas aquela linha tem mais qualquer coisa!

Ontem, no CAE na Figueira-da-Foz, vimos o documentário "Pare, escute, olhe" de Jorge Pelicano. Tínhamos já ouvido uma reportagem na Antena 1. Prometemos ir.
E fomos.
E ri-se. E entristece-se. E comove-se. E dá uma raiva cá dentro daqueles políticos (sim, têm nome: Mota Andrade, José Sócrates, Cavaco Silva) que em nome de um progresso bacoco e mentiroso destroem o Tua... e o resto do nosso património interior.

No site http://www.pareescuteolhe.com/ podem enviar uma carta de apelo aos deputados.

21 abril 2010

Morte



Quem mais sabe de mim enviou um texto do Público.
Terá dito Daniel Serrão:
"Para ajudar a pessoa que está em processo de morrer, o médico não tem de morrer. Aliás, o médico não pode morrer com cada doente seu que morre. Como não pode, por ainda ter medo ou angústia em relação à sua morte, investir em tratamentos fúteis ou inúteis na convicção que eles evitarão a morte do doente."

E tenho pensado muito nisto.
Um doente muito jovem a quem tive de acompanhar na morte... e essa morte antecipada na família. Houve 2 dias em que evitei ser eu a fazer-lhe a visita de manhã. Houve um dia em que decidi: a partir de agora farei sempre eu a visita.
E custa. Custa muito. E no entanto não acredito que se aprenda isto em aulas de anfiteatros, sinceramente eu não quero aulas sobre isto!
Mas também não quero o que ele passou... o acompanhamento amador. Eu e ele e a família a fazer o melhor que conseguíamos...
Como não morrer também sem me tornar um bloco de gelo?

"É por isso (..) que o médico, tem de aprender a colocar-se "na situação do doente, de experimentar a vivência interior que o doente tem do seu estado e de, a partir daí, viver com o doente e nos problemas do doente"; isto ao mesmo tempo que aprende, num equilíbrio precário, a proteger-se "do desgaste emocional excessivo". E isso dói? "Dói", assente Daniel Serrão. "Mas é preciso que o aluno passe por essa dor, um pouco misteriosa, de acompanhar o outro que morre, para que resolva a questão da sua própria morte, fazendo uma espécie de luto antecipado por si próprio."

Um doente mais velho que está vivo mas que está de dia para dia mais próximo do fim.
A tabela de medicamentos encolhe também de dia para dia...
"Devem ser prestados todos os cuidados de conforto. Dieta a gosto".
Escrevi eu (magoada) no cimo da tabela.
Espero. Espera ele. Luto antecipado.

Silêncio.

07 abril 2010

Amor e Liberdade






















Amor e Liberdade.
E o resto não interessa mesmo nada...
Aprendi com este livro. E faltam-me as palavras para falar de "Capitães da areia", ficam presas na garganta.

19 março 2010

Anaquim



No TAGV, um concerto que eu na preguiça e no sono quase que perdia.
Fica a vontade de ler letra por letra.
Hoje o CD já faz parte da nossa casa.

Muito bonita a "bocados de mim"
Dueto com Ana Bacalhau muito bom "o meu coração"
(ouve-se mais AQUI)

Chuva


Em vésperas de primavera...
Dizem ser o ano de mais chuva dos últimos dez anos...
Não resisti mais e comprei um!

21 fevereiro 2010

domingos de manhã













muito bom para começar um domingo, sim.
"quem é ela, quem ela"

13 fevereiro 2010

Cortinas






















- Precisa de ajuda?
- (sorrio atrapalhada) Não, não. Obrigada. Estou só a ver."
E um pouco inquieta fico sempre desconfortável... porque têm sempre de vir ter comigo? Não gosto de ter de falar antes de ver, gosto de procurar sozinha... é assim também nas estradas e caminhos. Acho que faz parte dos meus necessários silêncios.

Depois, habitualmente insistem:
- Será que não posso mesmo ajudar?

E eu digo, um pouco condescendente com a vontade daquela pessoa em fazer bem o seu trabalho, ainda que contra a minha manifesta vontade.
- Sabe, procuro uma cortina. Grande porque a janela é grande. Tem de dar privacidade, porque é perto de um jardim onde podem passar pessoas. Mas também não pode tirar a luz, porque eu não quero mesmo perder a claridade.

E olham para mim com olhar esquisito. (Mostram montes de coisas e eu aponto sempre o ponto em que não cumpre o que pedi.)
Fico quieta. Já na rua penso que aquela cortina podia bem ser uma descrição de como sou com os outros. Nem sempre fácil.

gestão


Lembro-me às vezes.
Faço-me lembrar mais vezes quando a tentação aperta...

"Não arranjar despesas que me obriguem a trabalhar mais."

é que tenho um emprego em que se pode trabalhar mais para ganhar mais.
mas eu não quero!
é difícil viver com pouco (o necessário... é difícil definir isto) quando parece que é susposto vivermos com o máximo.