O casamento romano era muito simples.
Os nubentes limitavam-se a dizer “tu Gaio, ego Gaia”.
Significa: se tu estiveres feliz, eu ficarei feliz.
Mas, uma vez que Gaio era um nome próprio,
significava também “Se tu fores o Gaio, eu serei a Gaia”,
como quem diz “se fores o Mário eu serei a Maria”
ou “se fores a Francisca eu serei o Francisco”.
Ou sejam: reconheçam todos que esta pessoa é aquela que me é mais próxima, a que deve ser atendida em primeiro lugar (na ausência de filhos menores) e a que me representa na minha impossibilidade.
Ela é a minha família mais chegada.
Rui Tavares, Texto: Casamento≈contrato
Inspirados nesta expressão do casamento romano, dissemos nos nossos (também breves) votos de casamento:
se tu estiveres feliz, eu ficarei feliz.
27 março 2011
Trabalho
Acordei eram 17:45. Mole, muito mole.
Depois de 23H (porque mudou a hora) de Urgência. 23H que me atropelaram e desfizeram. Morta de cansaço. Chateada. Irritada.
Acordei Mole.
É das poucas alturas que me dá para telefonar.
Comecei o meu dia a conversar com o meu pai sobre o facto de eu sentir que, actualmente, parece que só existem duas opções: ou trabalhas que nem um desgraçado ou não trabalhadas (isto não é uma escolha, e "quem trabalha deve dar-se por contente por ter trabalho!", ouve-se muito) E isso enerva-me!!! O trabalho é estruturante da vida, é necessário, é bom. Mas é apenas uma parte da vida e não deve engolir ou estragar as outras. Tanta tecnologia, tanto estudo psico-sociológico, tantas lutas, e parece que isto está só para piorar!!
Cheguei ao mail e um trabalho que enviei para um congresso foi recusado. Lamentava o júri. Ao contrário de me sentir triste, senti-me leve e alegre. Melhor assim! Pelo menos desta vez (a primeira até agora) a notícia chegou feliz para mim.

Porque não?
Depois de 23H (porque mudou a hora) de Urgência. 23H que me atropelaram e desfizeram. Morta de cansaço. Chateada. Irritada.
Acordei Mole.
É das poucas alturas que me dá para telefonar.
Comecei o meu dia a conversar com o meu pai sobre o facto de eu sentir que, actualmente, parece que só existem duas opções: ou trabalhas que nem um desgraçado ou não trabalhadas (isto não é uma escolha, e "quem trabalha deve dar-se por contente por ter trabalho!", ouve-se muito) E isso enerva-me!!! O trabalho é estruturante da vida, é necessário, é bom. Mas é apenas uma parte da vida e não deve engolir ou estragar as outras. Tanta tecnologia, tanto estudo psico-sociológico, tantas lutas, e parece que isto está só para piorar!!
Cheguei ao mail e um trabalho que enviei para um congresso foi recusado. Lamentava o júri. Ao contrário de me sentir triste, senti-me leve e alegre. Melhor assim! Pelo menos desta vez (a primeira até agora) a notícia chegou feliz para mim.

Porque não?
23 março 2011
Será?

Como oiço desde pequena... É nas alturas de crise que se pode dar a melhor das alterações, das mudanças, das festas. Mas é preciso estar atento. Vigilante e activo porque os maiores perigos, os fanáticos, os falsos detentores da verdade e das soluções espreitam, abrem a bocarra.
Tenho medo que Portugal escolha, numa votação fraca e desinteressada, apenas pela habitual roda das cadeiras.
Conseguiremos levar com a alegria da manifestação de 12.Março este país a bom porto?
17 março 2011
Gostei!
Gostei!
No dia em que ouvi, sem perceber bem como, mudou-me o humor. Fiquei alegre e leve. E mais corajosa. Mais forte.
Time For Equal Pay
16 março 2011
às voltas
13 março 2011
08 março 2011
Em Cuba... escrevi:
Lisboa-Madrid-Havana
Finalmente chegámos a Cuba.
Trocámos dinheiro, viram-nos os vistos e viemos de taxi até ao Hotel Presidente****. Banho quente. Uma sandes a dois e dormir profundamente até de manhã. Um bom pequeno-almoço. Mas a diária sem ser por booking na net ficava muito cara (120 CUC) e por isso pegámos nas malas e fomos à procura do Deuville (junto ao mar - 82 CUC). Ali ficámos 2 noites.

Um quarto que parecia pendurado num 10º andar, com uma vista suja para Havana. Havana do ar parece cinzenta, destruída, ruínas e escuridão. À esquerda a vista era para o mar.

Começámos Havana pela piscina do Hotel (6º andar). Bem bom! Sol! À tarde aventurámo-nos pelo Malecon até Havana Centro e Havana Velha.
Descobrimos uma cidade com muita gente, muito movimento, com civismo, com uma quantidade inacreditável de palácios e bonitas e enormes casas. Avenidas. Uma cidade construída para ser grande, charmosa, linda!

Em todo lado se vê gente a restaurar, a pintar, a cuidar. Mas a cidade é muito grande e o dinheiro deve ser muito pouco. Está quase tudo velho. A cair.

O parque automóvel é velho e espectacular! Chegámos a andar num desses taxis (o nosso era vermelho, muito alto, com uma música techno divertida).

As pessoas são muito disponíveis para ajudar, mas não melgam. Se não queremos não insistem.
Na Havana Velha a maior parte do comércio é minúsculo. Uma pequena porta com um balcão onde se vende o que comer ou o que se arranja. Às vezes há um mercado e o que se vende é velho.

A Praça Velha é bonita e glamorosa. Certamente como seria Havana inteira. Dali partem ruas com cafés de tecto alto e mobiliário elegante. Apetece entrar. Apetece ficar. Por todo o lado há música. As pessoas cantarolam muito. A rua Obispo é a rua Augusta de Havana. Gente e lojas. Com o descanso que é não reconhecer marcas, com a (nossa) curiosidade pelo que virá.

(...)
Deixámos Havana rumo à praia mas não sem antes beber mojitos e daiquiris, seguir sem rumo, sentir a energia na Praça da Revolução, ver a arquitectura e a arte do museu de bellas artes, comer gelado na gelataria mais famosa e fazer amizade com um casal que se sentou na nossa mesa e depois jantar no bairro chino.
Finalmente chegámos a Cuba.
Trocámos dinheiro, viram-nos os vistos e viemos de taxi até ao Hotel Presidente****. Banho quente. Uma sandes a dois e dormir profundamente até de manhã. Um bom pequeno-almoço. Mas a diária sem ser por booking na net ficava muito cara (120 CUC) e por isso pegámos nas malas e fomos à procura do Deuville (junto ao mar - 82 CUC). Ali ficámos 2 noites.

Um quarto que parecia pendurado num 10º andar, com uma vista suja para Havana. Havana do ar parece cinzenta, destruída, ruínas e escuridão. À esquerda a vista era para o mar.

Começámos Havana pela piscina do Hotel (6º andar). Bem bom! Sol! À tarde aventurámo-nos pelo Malecon até Havana Centro e Havana Velha.
Descobrimos uma cidade com muita gente, muito movimento, com civismo, com uma quantidade inacreditável de palácios e bonitas e enormes casas. Avenidas. Uma cidade construída para ser grande, charmosa, linda!

Em todo lado se vê gente a restaurar, a pintar, a cuidar. Mas a cidade é muito grande e o dinheiro deve ser muito pouco. Está quase tudo velho. A cair.

O parque automóvel é velho e espectacular! Chegámos a andar num desses taxis (o nosso era vermelho, muito alto, com uma música techno divertida).

As pessoas são muito disponíveis para ajudar, mas não melgam. Se não queremos não insistem.
Na Havana Velha a maior parte do comércio é minúsculo. Uma pequena porta com um balcão onde se vende o que comer ou o que se arranja. Às vezes há um mercado e o que se vende é velho.

A Praça Velha é bonita e glamorosa. Certamente como seria Havana inteira. Dali partem ruas com cafés de tecto alto e mobiliário elegante. Apetece entrar. Apetece ficar. Por todo o lado há música. As pessoas cantarolam muito. A rua Obispo é a rua Augusta de Havana. Gente e lojas. Com o descanso que é não reconhecer marcas, com a (nossa) curiosidade pelo que virá.

(...)
Deixámos Havana rumo à praia mas não sem antes beber mojitos e daiquiris, seguir sem rumo, sentir a energia na Praça da Revolução, ver a arquitectura e a arte do museu de bellas artes, comer gelado na gelataria mais famosa e fazer amizade com um casal que se sentou na nossa mesa e depois jantar no bairro chino.
Em Cuba... escrevi:
Preguiça na praia. Apetece-me ler mas o Kyoto acabou logo em Varadero. O P anda a ler o Memorial do Convento mas esquecemo-nos dele no bungalow.
Preguiça... sem sono para dormir. Ou talvez sim.
Não sei muito bem o que sinta em relação a Cuba. Por um lado eu queria era viver aqui. Arranjar uma casa com o P, ter um quintal, ter esta gente como vizinha, viver a vida a este ritmo. Ter aqui os meus filhos, dar-lhes sol, saúde, educação, trabalho honesto. Tenho medo de ter os meus filhos em Portugal, lá já tudo é difícil de ser autêntico. Não sei se as pessoas são ou se fabricam.
Podia dar consultas ou trabalhar no hospital.
Por outro lado...
Por outro lado assusta-me esta sensação de que nascer aqui e crescer fechado. As perspectivas de se ter uma vida diferente da dos pais ou dos avós é pequena. Não se pode viajar, não se pode conhecer o mundo.
Talvez por isso este fascínio pelo turista, pelos sabonetes, pelas t-shirts. São fragrâncias desse mundo de que pouco sabem.
Alguma vez encontrarei essa tranquilidade de ter um trabalho que goste e em que me sinta confiante e uma vida calma/doce?
NOTAS:
1) À noite aqui no jardim pastam cabras, grandes e pequeninas! Parece-nos a nós que é assim que a relva se mantém aparada.
2) Finalmente à tarde o P conseguiu beber uma água de côco!
3) Tivemos um pôr-do-sol bonito na Praia Larga. Fomos à praia dos Côcos com muitas conchas estranhas.
4) Acordámos que vamos fazer um curso de mergulho em Portugal.
5) Escrevemos postais à família.
6) Conhecemos o Raùl, um senhor a vender búzios enormes na praia. Sorriu quando nos soube de Portugal. Contou-nos que conheceu muitos bons portugueses na guerra (88-90) em Angola. 27 meses. Gosta muito da bebida "sete upê". Era muito simpático. Disse para termos um filho rápido, que é muito importante (repetiu várias vezes o conselho)
Em Cuba... escrevi:
A PISCINA

A piscina do nosso hotel faz lembrar um cruzeiro ou uma colónia balnear de velhos.
A água é azul e até tem um rede de voleibol.
Tudo o mais é curioso.
São poucas cadeiras-espreguiçadeiras e, por isso, desde bem cedo de manhã que todas estão reservadas (com toalhas, roupas, etc). E assim ficam todo o dia. Com ou sem pessoas, elas estão reservadas! As cadeiras giram ao sabor do sol, ainda que isso implique ficar mesmo de frente para um muro.
De resto é vê-las, grandes, vermelhas e lustrosas. Grandes barrigas. Mais a cima, as cabeleiras são cinza/brancas
A piscina do nosso hotel faz lembrar um cruzeiro ou uma colónia balnear de velhos.
A água é azul e até tem um rede de voleibol.
Tudo o mais é curioso.
São poucas cadeiras-espreguiçadeiras e, por isso, desde bem cedo de manhã que todas estão reservadas (com toalhas, roupas, etc). E assim ficam todo o dia. Com ou sem pessoas, elas estão reservadas! As cadeiras giram ao sabor do sol, ainda que isso implique ficar mesmo de frente para um muro.
De resto é vê-las, grandes, vermelhas e lustrosas. Grandes barrigas. Mais a cima, as cabeleiras são cinza/brancas
02 março 2011
Nota
Eu disse: Hoje vou às compras!!
Decidida.
Tu disseste gozão "Mas os saldos acabaram ontem!!"
O certo é que logo na primeira loja eu senti um enfado. Suspirei e pensei, não me apetece nada isto... Não é que as coisas não sejam bonitas, só que sei lá... dá-me uma impaciência. Tentei umas lojas mais e desisti.
Da minha mãe herdei a preguiça das compras.
Do meu pai o espirrar muito alto.
(2 coisas entre outras, mas das que tenho + praticado por estes dias)
Decidida.
Tu disseste gozão "Mas os saldos acabaram ontem!!"
O certo é que logo na primeira loja eu senti um enfado. Suspirei e pensei, não me apetece nada isto... Não é que as coisas não sejam bonitas, só que sei lá... dá-me uma impaciência. Tentei umas lojas mais e desisti.
Da minha mãe herdei a preguiça das compras.
Do meu pai o espirrar muito alto.
(2 coisas entre outras, mas das que tenho + praticado por estes dias)
26 fevereiro 2011
Caseira
Ele brinca comigo já há muito tempo.
Diz que guardo comigo coisas de sozinha.
Que não as largo. Que mal me deixa um pouco lá vou eu buscá-las outra vez.
Uma é um CD.
Este aqui.

Outra é um cozinhado.
Refogado de tomate, cebola e alho. Cogumelos. Esparguete. Ovos escalfados. (Dependendo da disponibilidade: bifes de perú aos bocadinhos). Tudo na mesma panela.
Hoje foi dia de ficar sozinha.
Hoje foi dia de Morelenbaum (2)/Sakamoto acompanhado de esparguete em tomate e ovo. Um consolo! :)
Diz que guardo comigo coisas de sozinha.
Que não as largo. Que mal me deixa um pouco lá vou eu buscá-las outra vez.
Uma é um CD.
Este aqui.

Outra é um cozinhado.
Refogado de tomate, cebola e alho. Cogumelos. Esparguete. Ovos escalfados. (Dependendo da disponibilidade: bifes de perú aos bocadinhos). Tudo na mesma panela.
Hoje foi dia de ficar sozinha.
Hoje foi dia de Morelenbaum (2)/Sakamoto acompanhado de esparguete em tomate e ovo. Um consolo! :)
Kronos - para ouvir com tempo

Ando a ouvir. Devagar.
Com diferentes tipos de contribuições, ela mistura Álvaro de Campos, Mário Laginha, Amélia Muge, Sérgio Godinho, Jorge Palma, José Mario Branco, Carlos Tê, Rui Veloso, Júlio Pomar... e outros!
E ela ainda queria o Fausto e uma letra do Jorge Palma. Será para a próxima, combinaram.
Vale a pena.
20 fevereiro 2011
Esta noite

BLACK SWAN
Realizador: Darren Aronofsky
Sim, é um filme espectacular.
Sim.. Mas É DEMAIS PARA MIM!
Não consegui gostar. Aliás, não é muito habitual a meio dos filmes, ainda antes da acção verdadeiramente começar, eu pensar "não estou a gostar deste filme"... E aconteceu. E piorou. O tipo de violência ficcional que me transtorna.
Não lhe tiro o mérito, eu é que não consigo...
17 fevereiro 2011
Como uma fotografia
Como uma fotografia.
Como essa fotografia que não tirei.
Uma imagem que não queria esquecer.
Passavamos por Santa Clara e o tempo estava bom. Morno.
Bem dispostos os dois. No nosso Geely alugado.
E como uma fotografia que passa, no recreio de um infantário...
Dezenas de crianças a dormir muito tranquilas, cada uma na sua cama, à sombra de uma enorme árvore. Como se não houve mais mundo. Fiquei presa naquela imagem.
Tranquilidade.
Tenho saudades da tranquilidade de Cuba.
Como essa fotografia que não tirei.
Uma imagem que não queria esquecer.
Passavamos por Santa Clara e o tempo estava bom. Morno.
Bem dispostos os dois. No nosso Geely alugado.
E como uma fotografia que passa, no recreio de um infantário...
Dezenas de crianças a dormir muito tranquilas, cada uma na sua cama, à sombra de uma enorme árvore. Como se não houve mais mundo. Fiquei presa naquela imagem.
Tranquilidade.
Tenho saudades da tranquilidade de Cuba.
Fim-de-semana passado

O DISCURSO DO REI
Realizador: Tom Hooper
Gostei muito.
Gostei tanto da falta de "ortodoxia" e da verdade daquele terapêuta!
Aprender a enfrentar limitações. Coragem.

UM ANO MAIS
Realizador: Mike Leigh
Não é positivo, nem encorajador.
Selecciono as imagens, os espaços, as relações que gostei.
Aprender a acolher.
08 fevereiro 2011
Agua mala
O mar sempre azul.
A água sempre muito transparente.
A temperatura deliciosa.
Praias sossegadas. Quase ninguém. Ou apenas a terra a terminar no mar e uma escada para descer.
Estávamos nas praias do Sul de Cuba. No meio de tanta coisa boa... senti um pequeno choque nos punhos. Susto. Passou.
No dia seguinte... Um choque muito mais forte no tornozelo. Chateei-me! Não se via nada!!
Saí da água. Sol.
Um pouco depois andavamos de "bicicleta de água" e decidi mergulhar.
Duas braçadas e ZÁS!!!
Choques dolorosos nos dois braços. Dor. Ardor. Susto. Fugi da água. Zangada. Que era aquilo?
Perguntámos. Chama-se "Água mala" ou "barquito portugues" que por vezes por ali aparece.
Fiquei ruim porque a ti elas não picavam, só a mim!!!
E 20 minutos depois... ZÁS!... foste picado também.

Agora rimos muito da nossa caravela Portuguesa, bicho mau mas bonito. Como aliás, sem saber, já tinhamos visto antes noutra praia.
A água sempre muito transparente.
A temperatura deliciosa.
Praias sossegadas. Quase ninguém. Ou apenas a terra a terminar no mar e uma escada para descer.
Estávamos nas praias do Sul de Cuba. No meio de tanta coisa boa... senti um pequeno choque nos punhos. Susto. Passou.
No dia seguinte... Um choque muito mais forte no tornozelo. Chateei-me! Não se via nada!!
Saí da água. Sol.
Um pouco depois andavamos de "bicicleta de água" e decidi mergulhar.
Duas braçadas e ZÁS!!!
Choques dolorosos nos dois braços. Dor. Ardor. Susto. Fugi da água. Zangada. Que era aquilo?
Perguntámos. Chama-se "Água mala" ou "barquito portugues" que por vezes por ali aparece.
Fiquei ruim porque a ti elas não picavam, só a mim!!!
E 20 minutos depois... ZÁS!... foste picado também.

Agora rimos muito da nossa caravela Portuguesa, bicho mau mas bonito. Como aliás, sem saber, já tinhamos visto antes noutra praia.
06 fevereiro 2011
21 janeiro 2011
Preparativos...

A minha avó falou pela primeira vez de já ser altura de a minha mãe me dar "aquela" colcha já feita há não sei quantos anos para o meu enxoval.
(a minha mãe acha que ainda não vai ser agora, "só quando ela deixar de ter o gato")
Os jardineiros andam todos contentes, dizem "isto é inédito, isto é inédito!"
Sempre disponíveis para ajudar, sempre muito cordiais.
A família movimenta-se. Cada um tem a sua tarefa e ninguém quer ficar mal.
Alguns amigos também vão ter a sua festa.
06 janeiro 2011
Dia frio
Um pouco triste.
Dia acelerado. Os hospitais deviam ser locais de vida, deviam conseguir misturar bem a alegria e a esperança, o respeito e o sofrimento.
Mas querem (e estão a conseguir) tornar os hospitais em lugares de correria, de nervosismo, de impaciência e desrespeito.
Eu sei-o. Estou na linha da frente. E somos alguns na linha da frente. E somos jovens e trabalhamos muito. Somos essa linha que os doentes vêem, que as famílias encontram, que os colegas questionam.
E raios, trabalhamos que nos fartamos!
As administrações, as regras destas economias irresponsáveis apertam-nos o cerco, sugam-nos o tutano. E nós cansados, irritados, a sentir que nos pedem demais, que são doentes demais, que são condições (conquistadas!) importantes que nos estão tirar!
E na face dos doentes é que regresso sempre ao início... O que esperam de mim é segurança, é calma.
Estou triste hoje.
Quero o sistema nacional de saúde público de qualidade.
Não quero correria, não quero irritação.

Lembrei-me da manhã da véspera de natal. Talvez 5H00.
Telefonaram-me. Nessa manhã eu pensava em nascimento. Mas chamavam-me para verificar um óbito. Um senhor velhinho numa enfermaria que não é a minha. Percorri o hospital sozinha. Frios e quentes, os corredores, numa sucessão. Longe. Os meus passos não faziam barulho. Tentava caminhar tranquila, sem me sentir assim.
Tive de verificar e escrever que a sua vida terminava ali, todo ele silêncio.
E por um segundo tive a vontade de escrever algo mais bonito (do que as palavras que se usam sempre), mais sentido, mais poético. Mas não pode ser... Não sei bem porquê mas exigem-nos apenas seriedade e concisão (Brevidade e clareza).
Preciso abrir as janelas hoje.
Dia acelerado. Os hospitais deviam ser locais de vida, deviam conseguir misturar bem a alegria e a esperança, o respeito e o sofrimento.
Mas querem (e estão a conseguir) tornar os hospitais em lugares de correria, de nervosismo, de impaciência e desrespeito.
Eu sei-o. Estou na linha da frente. E somos alguns na linha da frente. E somos jovens e trabalhamos muito. Somos essa linha que os doentes vêem, que as famílias encontram, que os colegas questionam.
E raios, trabalhamos que nos fartamos!
As administrações, as regras destas economias irresponsáveis apertam-nos o cerco, sugam-nos o tutano. E nós cansados, irritados, a sentir que nos pedem demais, que são doentes demais, que são condições (conquistadas!) importantes que nos estão tirar!
E na face dos doentes é que regresso sempre ao início... O que esperam de mim é segurança, é calma.
Estou triste hoje.
Quero o sistema nacional de saúde público de qualidade.
Não quero correria, não quero irritação.

Lembrei-me da manhã da véspera de natal. Talvez 5H00.
Telefonaram-me. Nessa manhã eu pensava em nascimento. Mas chamavam-me para verificar um óbito. Um senhor velhinho numa enfermaria que não é a minha. Percorri o hospital sozinha. Frios e quentes, os corredores, numa sucessão. Longe. Os meus passos não faziam barulho. Tentava caminhar tranquila, sem me sentir assim.
Tive de verificar e escrever que a sua vida terminava ali, todo ele silêncio.
E por um segundo tive a vontade de escrever algo mais bonito (do que as palavras que se usam sempre), mais sentido, mais poético. Mas não pode ser... Não sei bem porquê mas exigem-nos apenas seriedade e concisão (Brevidade e clareza).
Preciso abrir as janelas hoje.
16 dezembro 2010
11 dezembro 2010
Quando não apetece trabalhar...
05 dezembro 2010
Des hommes et des dieux

Realizador: Xavier Beauvois
Um filme fabuloso. A propósito de uma história bem real, sentimos, com arrepio mas serenidade o amor pelos homens, pelos povos. O respeito enorme pelas pessoas, pelas religiões. E a confiança em deus (ninguém disse que era fácil).

"É um filme de resistência: de resistência ao medo, de resistência ao desconhecido, de resistência a tudo aquilo que nos rouba a humanidade (e, por consequência, nos rouba também o divino que há em nós - porque a verdadeira fé, que implica sempre a dúvida, é algo de profundamente humano)" na crítica de Jorge Mourinha
José e Pilar
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