30 julho 2008

Abrigo



Título original: Riparo - Anis tra di Noi
Realização: Marco Simon Puccioni
Com: Maria de Medeiros, Antonia Liskova, Steffan Boje

Deste filme gostei muito.
Muito bonitas as imagens.
A motorizada.
Antonia Liskova bem merece todos os prémios que ganhou.
Maria de Medeiros sensual, sincera.
A música.
A imagem dos três de fato de banho junto ao lago.
Tristeza e perguntas.

Itália, em breve.

Mio Fratello è Figlio Unico






















Realização: Daniele Luchetti

Confesso que não me encheu as medidas. Acho que faltou a comoção.

MAS...

- é engraçado pensar como fui achando Accio cada vez mais bonito fisicamente, à medida que a sua transformação interior se dava.

- gosto daquele tempo assim filmado, os carros, as cores, as camisolas, os cabelos...

- lembrei-me do outro filme La Meglio Gioventù (o único filme que vi ser projectado dividido em duas partes, em dois dias diferentes, no cinema!)... e achei que era só pelo italiano, pela revolução desejada, pela transformação que pode haver em nós com o tempo (cabe a nós termos atenção para que seja para melhor... digo sempre baixinho de mim para mim). La Meglio Giuventù é, na minha opinião, um filme melhor. MAS... MAS não é que descobri agora mesmo que o argumento do Mio Fratello è Figlio Unico, do realizador Daniele Luchetti, foi escrito em colaboração com Sandro Petraglia e Stefano Rulli, a dupla de autores de, nada mais nada menos que, La Meglio Gioventù?!!

23 julho 2008

frase

Gentileza gera gentileza.


Num documentário que não prestei atenção encontrei esta frase.
Tento lembrar-me dela desde então.
Quase todos os dias.
.
Puxa que às vezes é difícil.

sexta-feira, foi lua cheia

MANHÃ:

Depois da primera cirurgia sentei-me na pequena sala de convívio/chá/café/bolachas/sofás.
Suspirava quieta por a minha equipa ser dada a falar em murmúrio por entre as máscaras e de pouco lhes conseguir perceber.
Olhei para a TV, estava a dar uma reportagem sobre a Operação Noite Branca.
Chegou o Interno que, apesar de ter minha idade, está um ano à frente, já na especialidade. Perguntou-me o que eu estava a fazer. Disse-lhe. Respondeu:

- AH! Esses gajos que morreram é tudo gente que tem é que morrer, não fazem falta nenhuma. Tudo bandidos. Têm é de morrer mesmo.


Emudeci.
Raiva por dentro.
Cara séria para fora.
Se lhe tivesse respondido tinha saído a rasgar e ainda não há confiança para isso. (fico sempre chateada de não responder à letra a estas pessoas)



NOITE:

Fui ver o "Tropa de Elite", um filme Brasileiro de 2007, realizado por José Padilha, vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim 2008.
Saí da vazia sala de cinema inquieta. Passei o filme todo a pensar "Mas onde é que o realizador quer chegar? Onde?" É para nos dizer que todos os que consomem qualquer tipo de droga são responsáveis por aquilo? É para criticar as bonitas ONG's, que as classes média e alta criam, repletas de incoerência? É para nos mostrar o trabalho real da BOPE? É para nos mostrar as favelas? [aqui páro e lembro tantas outras associações que se esforçam tanto por provar que as favelas são muito-muito mais do que a violência que se publicita] É para mostrar a corrupção da polícia? É para justificar a violência deste tipo de polícia que entra para matar? É para nos dizer que todos se podem corromper?

Sim, eu sei que provavelmente José Padilha só quis fazer um BOM filme de acção e o resto são questões do público, que lançar a discussão tem valor por si.

Mas raios... assusta-me que racismo, extrema direita ou pura ignorância estúpida como a do meu colega Interno encontrem algum argumento mais neste filme.

Blasted Mechanism



Devemos ter ouvido já, mas onde?
No Buraco Negro? Talvez no STATES. Sorri ao pensar no STATES.
No Sábado passado, na Festa da Alegria, deram um grande concerto!
A música que se segue integra guitarra portuguesa.

Carvalhesa

Eu, que não conheço estas andanças, não percebi que se estava a iniciar.
Fora ou dentro não interessa para o caso.
O certo é que fui contagiada e dancei também.
Fora ou dentro para o caso não interessa mesmo.
Porque dancei e senti, com aquelas dezenas de pessoas que dançavam, mais que uma esperança enorme!


Festa da Alegria, em Braga - 19 e 20/07/2008

10 julho 2008

aqui do mar

se algum dia me ouvirem dengosamente dizer:
- AHHH... EU NÃO ENTRO NO MAR EM PORTUGAL, é muito frio!

..............................DÊEM-ME UM MURRO!!



foi o que pensei ao entrar no mar de Espinho.
custa entrar. mas há alguma coragem nisso!
e depois?
depois salta-se, e cai-se, mergulha-se, ardem os olhos de tanto sal, ri-se sozinha, brinca-se como em menina outra vez.
e depois?
depois em passo apressado até à toalha e, das melhores sensações do mundo: sol quente em pele gelada!
até os caracóis em absoluto desaire fazem sentir leveza.

09 julho 2008

Where the Hell is Matt?

este video pode ser visto com MUITO melhor qualidade e igual rapidez no youtube (procurar: watch in high quality)


O certo é que o dia de trabalho acabou muito mal.
(aqueles momentos em que toda a minha ignorância me esmaga)
O certo é que soube mesmo bem receber este video.
Hoje não senti inveja, senti vontade de dançar por aí também!

outras viagens do matt

algumas imagens lembram mesmo s. tomé!


beijo a quem ofereceu.

Em casa



Este video já era muito bom!
Mas agora é muito melhor!
É que agora eu reconheço nomes, imagens e caras destas terras:
Mafamude, S. Cristóvão, Avintes, Canidelo, Gulpilhares, Grijó, Arcozelo, Oliveira do Douro, Canelas, Valadares e Gaia.
Todas por aqui e por ali tenho encontrado. Rio-me ao ler nas etiquetas dos doentes.

03 julho 2008

Será machismo?... II





















Tenho ouvido médicas dizer mal dos maridos.
Soa-me a desabafo que não conseguiram conter. Sai de repente. E depois parecem envergonhar-se. Eu nunca comento. Nunca.

Penso.
- Não tiveram estas mulheres várias hipóteses de escolha? São inteligentes, são bem-sucedidas, são viajadas, já viveram noutros países, já trabalharam em muitos locais. Regra geral não casaram muito novas nem com o primeiro namorado.

Discorro.
- Sim, já me explicaram que isto de serem inteligentes e bem-sucedidas não quer dizer nada. Podem ser formas de ameaça.

Oiço.
- Elas dizem mal, no supetão das suas palavras explode “O meu marido é muito desorganizado! E os homens nunca abdicam das coisas deles pelos filhos ou pelo que quer que seja!”… outra… “Nós mulheres, na profissão, na educação dos filhos, na organização da casa, no social, para eles (os maridos) somos Fantásticas!!! Mas para tudo o resto somos sempre umas ignorantes!!” (referia-se à negociação de uma multa).

Enfrento.
- Sem dizer nada, discordo. Não são todos assim, eu sei que não são! Pode não ser muito fácil adivinhar, perceber… a vida toda é que diz, mas não, isso não é assim!

Cismo.
- Nas dezenas de crianças que vi no internamento nenhuma ficou acompanhada pelo pai.
Em quase 200 crianças que devo ter visto nas urgências só vi uma acompanhada do pai… e ele não sabia rigorosamente nada do que se passava (há quantos dias está com febre? De quanto é? Mas também tem tosse? Tem diarreia? Não sabia NADA-NADA!) e foi evidente que nunca tinha despido ou vestido a sua filha de 3 anos. Enrascado queixava-se que a mulher é que sabia explicar… mas que não podia MESMO estar presente.

Irrito-me.
- A atitude das mulheres pode ser errada. Machista também. Mas não são estes homens capazes de pensar e agir pelo que é correcto e equilibrado e não pelo que aprenderam (sim, se fazem tantas coisas de forma diferente daquela a que foram ensinados, porque não aí também?) e não pelo que é cómodo, displicente, injusto?...

Estou farta de tanta desculpa.

pintura de Paula Rego

30 junho 2008

IM - Magazine: notícias

.
“Temos de encontrar um caminho, ou fazer um.”

Albert Einstein

IM Magazine continua a navegar pelo mundo, inspirando-se, para inspirar os seus leitores.
Vale agora a pena “navegar” para o Brasil e ler:


Sobre um projecto que revela um novo olhar sobre as favelas do Rio de Janeiro. (IM – Ideias em Movimento)
OLHARES DO MORRO

Sobre o trabalho da ANDI. Uma agência que está a mudar o jornalismo no Brasil. (IM – Inteligente Media)
A MUDAR O JORNALISMO

Sobre a Arte da Transformação, que Milla Petrillo tão bem documentou, revelando como a estética combate a exclusão de crianças e jovens no Brasil. (IM – Impulsionadores da Mudança)
MILLA PETRILLO



A IM Magazine, com pouco mais de um mês, já chegou a 84 países.

17 junho 2008

O ponto.






















Antes do ponto eu cumpria as obrigações. Feito o trabalho no hospital, ia embora.
E saía cedo e os dias eram grandes e não era dificuldade nenhuma encontrar o que fazer.
Depois chegou o ponto.
E as 42 horas de trabalho semanais têm de ser rigorosamente cumpridas.

E as queixas são muitas. Estou farta dessas queixas que se refastelam na cadeira mais confortável e maldizem a vida constantemente… ininterruptamente… infinitamente... sobretudo improdutivamente!

Olho para elas e penso, eu resolvi assumir que tenho de cumprir o horário, concordo com o princípio (o método sei que é discutível). E se o trabalho na enfermaria está feito e as consultas externas terminadas… escolho continuar a trabalhar! Estudo os artigos que me mandaram, preparo as apresentações que tenho de fazer, ajudo a minha colega a fazer as dela, examino alguma criança internada sobre a qual tive algumas dúvidas, converso com os pais quando a ansiedade deles já é menor, converso com a enfermeira sobre os casos que ela ali já viu e viveu.

Sendo que assim trago menos trabalho para casa e os trabalhos estão sempre mais em dia e mais bem feitos, posso dizer que comigo o ponto resulta.
E calem-se as queixas por favor!

15 junho 2008

o mundo ao contrário






















I TEMPO
No autocarro, uma cara que conheço de vista. Deve ser daquele mesmo autocarro que a conheço:
- Ai eu fui lá com o meu marido, mas que horror!!! Tudo fechado, as lojas todas fechadas, até fazia medo andar lá dentro!
[devia estar a referir-se a algum desses pequenos centros comerciais que vão fechando, loja a loja, à conta dos grandes shoppings.]

- Pois, mas uma pessoa precisa daquilo. Uma pessoa vai e pronto, compra “uma coisa” e fica logo aliviada!

Eu ri-me de mim para mim. Eu já sei que aquele “fica logo aliviada” é mesmo verdade, embora eu não sinta assim. Mas porquê?


II TEMPO
- Sabes, ele dizia que os portugueses gostam muito de ter coisas. Muitas coisas, que vão enchendo as casas.
- Tralha? [e ele pareceu ficar muito contente por eu acertar na palavra que de repente não lhe ocorreu].
- SIM. Fomos dos que mais compramos vídeos, tv’s, telemóveis, etc. E tudo isso se transforma em lixo. É um consumo vazio porque nada te liga às coisas senão a vontade de as ter naquela altura, logo.

Lixo Lixo Lixo Vazio Vazio Vazio


III TEMPO
Ele (outro ele) disse: Traz aí isso. E apontou para a "Dica da Semana". Eu resmunguei que nunca tenho vontade de ver tal coisa. Ele folheou. Pareceu desiludido e disse “não preciso de nada disto!”. Eu estive quase para dizer mazinha “É suposto saberes o que precisas e não procurares coisas que possas precisar na publicidade”. Mas não disse, sabia o comentário injusto com ele.

10 junho 2008

in the mood for love


a Marmita de Maggie Cheung... transporta-a como se dançasse.
e tenho uma simpatia inexplicável por marmitas.


as cores das casas, os vestidos de Maggie Cheung.
as sombras num edifício na rua.
não sei se alguém mais filma as cores, as sombras e os vestidos como Wong Kar Wai.


a música, o fumo, os postais numa parede (e dá vontade de entrar no ecrã e vê-los um por um). a chuva num candeeiro.


os slow movement. fica-se vidrado naquele movimento, naquele andar, naquele descer das escadas.


o jeito com que se olham e mal se tocam.
imperceptivelmente ligados.

E os papeis de embrulho, acho que não esquecerei os papeis de embrulho. Prendas que nunca sabemos o que eram, mas com os papeis mais bonitos (que importa o que tem lá dentro se há aquele papel, se há aquela mão que o segura?)

disponível para amar,
realizador: Wong Kar Wai

09 junho 2008

all i need

Vídeo de All I Need (Radiohead), realizado por John Seale ("O Paciente Inglês"), para a campanha MTV EXIT, parceria ente MTV e a USAID, contra o tráfego humano e a exploração infantil.



O Mário descobriu no Público.
Eu descobri com o Mário.

As milhares de vezes que eu ouvi esta música enquanto estudei no ano passado...
Muito a propósito do que andei a pesquisar hoje.

08 junho 2008

Nervos



FICO NERVOSA CADA VEZ QUE ME DIZEM BEM DO SANTANA FLOPES.
Quando ele foi eleito presidente da Câmara da Figueira-da-Foz eu lancei-me ao ar - Como é que alguém leva este homem a sério???

Imagine-se como fui reagindo a presidente da Câmara de Lisboa e primeiro ministro...

SEI QUE MUITOS O DIZEM NAQUELE TOM DE DESPEITO PELO QUE FAZ, MAS QUE ELOGIAM O "ANIMAL POLÍTICO", O "SABE-
-SE MOVER COMO NINGUÉM NA POLÍTICA"
Mas só me dá vontade de dizer, como querem que o admire por ele se mexer bem NESSE tipo de política cheia de oportunismo, vedetismo, populismo rasca, e quantos outros ismos?
[que seja claro que não deixo de ser atenta e participativa. Não deixo de acreditar na política]

"E VISTE COMO ELE ESTEVE BEM NAQUELA HISTÓRIA DO MOURINHO NA SIC?"
Ele tinha razão. Mas até para se poder tomar aquele tipo de atitudes é preciso ter coerência!! Quantas vezes o espaço público nacional já foi preenchido com namoros, gravatas, férias e comentários tristes deste sr?

Como diz o Miguel, comentando o Santana nesta fotografia: "Quando não se está no palco, a democracia é um enfado."

Boas lembranças



(Re)lembrei hoje este video! E é genial, e vale bem ver até ao fim!

05 junho 2008

Melindre


















Não gosto desta palavra. Talvez por conhecer demasiado bem a sensação. Horrorosa sensação.

Melindro-me…
Melindro-me quando ralham comigo. Sempre. A voz dura dá-me vontade de chorar. Olho nos olhos da pessoa, seguro-me, digo que sim. Melindro-me ainda que eu saiba que não tem razão nenhuma (e talvez ela se vá aperceber depois), ainda que saiba que só fala assim comigo porque o dia lhe corre mal, porque está furiosa com outras coisas. Mas melindro-me. Seguro-me.

Melindro-me…
Melindro-me quando as pessoas que admiro começam a dizer mal da vida, do trabalho, dos colegas… quando lhes vejo a desesperança, o desânimo. Apetece-me dizer… “Não, não, não, não a Dra V.!!” Apetece-me segurá-los, abaná-los, dizer “Eu sei que é possível não cair nisso, está a ouvir?? Eu conheço quem tenha sido capaz de escapar.”

Melindro-me...
Melindro-me quando sou desastrada no exacto momento em que acreditei que não o iria ser.

Melindro-me...
Melindro-me quando me dizem que sou misteriosa. Não gosto e não entendo. [ao segundo ano consecutivo de tal óscar, dado pelas directoras do campo de Mocamfe, disse triste "não tenho mesmo nada essa ideia de mim"]


São melhores os dias em que não há este peso. São melhores os dias em que o mau humor, a crítica e o desastre inspiram a gargalhada. São bem melhores os dias em que os Caturrinhas (participantes de 13-14 anos dos campos do Mocamfe) me escolhem o óscar "a mais brilhozinho nos olhos" explicando que é por me rir enquanto falo.


fotografia de Diane Arbus

23 maio 2008

Erro II, ou na iminência dele.






















Urgência pediatria.
O médico, o mesmo médico do post anterior.
Estávamos entre explicações, perguntas minhas e algumas decisões.
Eu estava com os cotovelos em cima da mesa, a segurar a cabeça com os punhos por baixo do queixo, e ouvia-o do outro lado da mesa. Próximos. Como o meu pai e a minha madrinha me ensinaram, é importante não só estar atenta como mostrar que se está atenta e interessada. Assim, quem nos fala, sente-se ligado a nós e certamente terá mais vontade de nos contar novas coisas, dar mais do que sabe. E com isso só teremos a ganhar.

Decidíamos coisas difíceis.
Devo ter encolhido os ombros. Devo ter dito com dúvida: - E mandamo-lo embora mesmo assim, sem saber se terá de voltar, não é…?
Ele respondeu rápido: - Ouve, a tua insegurança é também a minha!! Eu é que falo com esta segurança toda e, pronto, tenho uma coisa que tu não tens (mas também é para isso que estás aqui) a experiência.

E aquele Ouve, a tua insegurança é também a minha, foi tão sincero que lhe vi o brilho no olhar. Era o brilho dos que querem fazer bem mas temem para sempre não conseguir.


fotografia de Andrew Eccles

15 maio 2008

o erro


Comecei a manhã a ver-lhe só o cabelo cinzento e a ouvir-lhe a voz.
Estávamos muitos numa reunião.
Ele firme. Decidido. Certo do que dizia. Era talvez o médico mais velho na sala. E citava artigos, desafiava velhas práticas, exigia rigor científico.
Alguns mais novos, muito mais novos, indignados suspiravam lamentações “mas eu há anos que faço isso convencida que estou certa e agora vêm dizer que não???!”
E ele continuava, sem ser agressivo, mas sempre sólido.

Continuei a manhã a aprender com ele. Ele explicava-me mas lançava-me às feras:… “Agora vais lá e fazes tudo sozinha”, sem a menor pena ou complacência. Continuava a recusar as explicações aceites, as formas de fazer não questionadas.
E eu aprendia. Ele viu bem a minha insegurança, a minha ignorância, mas acho que também viu que eu queria aprender, e dedicou-se a mim. Respondia sério às minhas mil perguntas e curiosidades, disse que eu escolhia muito bem as palavras para descrever as crianças.

E a certa altura falhou um diagnóstico. E desmoronou… tinha falhado!! E ficou zangado com ele, e reconheceu o erro. E ficou a matutar.

E eu fiquei aterrorizada. No auge da carreira, com imenso estudo ainda, com enorme exigência, com muita atenção… AINDA SE ERRA !?!

(o que me espera...)

08 maio 2008

IM Magazine - a revista esperada



NASCEU:
http://immagazine.sapo.pt

Tenho um enorme orgulho em pertencer a esta forma de tentar melhorar o mundo.
Espero que gostem. Espero que a sigam. Espero que tenham vontade de contar dela aos amigos, assim como uma novidade boa... mas ao vosso jeito, que pode ser em voz muito alta e alegre ou num segredo baixinho.
Em português e em inglês.

Deu-me um enorme gozo escrever "cidades lentas", já neste número.



IM Magazine é uma revista online inovadora que divulga O melhor que se faz no mundo... para um mundo melhor.

Com a IM poderá ir descobrindo, através de artigos, vídeos, blogs, agenda, o mundo dos visionários, dos pensadores, filantropos, voluntários, inventores, artistas, investidores. Os projectos que marcam a diferença, as ideias que vão revolucionar o amanhã, as empresas socialmente responsáveis, novas formas de olhar o mundo, novas soluções para velhos problemas, projectos e pessoas que estão a desenhar um mundo melhor no presente e para o futuro.

Bem-vindo ao "the bright side of the world". Inspire-se. Todas as semanas terá novos temas para ler, ver e sentir.

06 maio 2008

terra turfa













Tentei procurar as sementes na terra fofa oferecida juntamente com o pequenino vaso de barro. Sem a certeza de as ter encontrado coloquei um pequeno prato por baixo para que a água com que as reguei não escapasse pelo furo do vaso.
Assentei-os onde o sol bate com delicadeza.
Rego-as. Olho-as. Algumas palavras. Fico insegura nos meus gestos e escolhas. (Será que vocês estão mesmo aí? Será que este parapeito é bom para vocês? Será que vão crescer? Estarei a regar-vos demais?)
Olho-as. Sorrio-me e penso "vai correr bem".

No vaso está colado, pela L e pelo A:

Terra turfa com sementes.
Regue e coloque ao sol.
Faça crescer o amor perfeito.


Bem sei que se diz que amor perfeito não existe. Ainda assim penso… se não nos prendermos a esse “prudente cepticismo” e dermos a nossa água, muito sol… a nossa atenção, o nosso cuidado, a nossa liberdade… estaremos mais perto dele, do amor perfeito.
não será assim?


mais perto sabe melhor.

Ginecologia / Obstetrícia II






















Na especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, nas mulheres que encontramos todos os dias, reflectem-se muito os problemas sociais e culturais.

Porque...

... quando as mães são demasiado novas.
... quando as mães são demasiado velhas e com demasiados filhos sem condições.
... quando intuímos a violência sobre elas.
... quando sabemos que estas mulheres foram infectadas pelos maridos.
... quando a pobreza é tanta que recusam os internamentos necessários, porque não podem faltar ao trabalho ou quando ninguém lhes olha pelos outros filhos.
... quando a grávida tem uma deficiência mental grave.
... quando o medo e a vergonha as fazem esconder um nódulo na mama, um sangramento vaginal.
... quando a miséria atrai a falta de sorte e... pior, a falta de capacidade de lidar com essa ausência de sorte.
... quando temos medo por deixar aquele bebé ir com aquela família.

... Quando isto acontece ALGUMA COISA VAI MAL, ALGUMA COISA VAI MUITO MAL!

Alguma coisa vai mal quando é mesmo duro voltar a casa e pensar que "Não, não, não! isto não podia existir!"

Ginecologia / Obstetrícia I






















Quem tanto disse ou diz que agora é muito fácil interromper a gravidez:
(e que por isso vão ser aos milhares as IVG de mulheres
"desprovidas de qualquer sentimento ou responsabilidade")

... DESENGANE-SE!!!

É um processo longo e difícil.
Feito com dignidade e em segurança, mas dificilmente alguém o quererá repetir.

suuuuuuuuuuuuuuuper COLANTE !!!!



Nunca gostei tanto de colar um autocolante como desta vez.
Colante é como se diz por aqui :)