21 fevereiro 2010

domingos de manhã













muito bom para começar um domingo, sim.
"quem é ela, quem ela"

13 fevereiro 2010

Cortinas






















- Precisa de ajuda?
- (sorrio atrapalhada) Não, não. Obrigada. Estou só a ver."
E um pouco inquieta fico sempre desconfortável... porque têm sempre de vir ter comigo? Não gosto de ter de falar antes de ver, gosto de procurar sozinha... é assim também nas estradas e caminhos. Acho que faz parte dos meus necessários silêncios.

Depois, habitualmente insistem:
- Será que não posso mesmo ajudar?

E eu digo, um pouco condescendente com a vontade daquela pessoa em fazer bem o seu trabalho, ainda que contra a minha manifesta vontade.
- Sabe, procuro uma cortina. Grande porque a janela é grande. Tem de dar privacidade, porque é perto de um jardim onde podem passar pessoas. Mas também não pode tirar a luz, porque eu não quero mesmo perder a claridade.

E olham para mim com olhar esquisito. (Mostram montes de coisas e eu aponto sempre o ponto em que não cumpre o que pedi.)
Fico quieta. Já na rua penso que aquela cortina podia bem ser uma descrição de como sou com os outros. Nem sempre fácil.

gestão


Lembro-me às vezes.
Faço-me lembrar mais vezes quando a tentação aperta...

"Não arranjar despesas que me obriguem a trabalhar mais."

é que tenho um emprego em que se pode trabalhar mais para ganhar mais.
mas eu não quero!
é difícil viver com pouco (o necessário... é difícil definir isto) quando parece que é susposto vivermos com o máximo.

01 janeiro 2010

Novo ano Nova casa




Na fúria dos caixotes, dentro de casa, nem tinha reparado.
Desci ao aparcamento para ver.
E eram 6 carros, com 6 homens (entre amigos e família) a carregar.
E carregavam com força e método.
Por cima deles um luar quase cheio.

Eu senti-me dentro de um filme.
Dentro dos carros, a nossa casa.

A casa nova...
Como sempre quis ter uma e nunca pensei encontrar. Andei um dia baralhada a pensar que o que eu queria era uma casa nova e muito fashion... mas não, ao 2º dia de procura, na 13ª casa encontrámos a NOSSA CASA! Não tivemos dúvida alguma. E sem mover 1 cêntimo ao orçamento de renda que tínhamos definido.
Até o chão combina com o gato Botas!

22 novembro 2009

Icamocamé!



Desde minúsculo que conheces os animais quase todos e sempre que te acrescentamos um novo tu aprendes logo. E logo nos pedes o som que esse animal faz. E não te contentas com qualquer parvoíce que inventemos, temos de te convencer!

Então vá-se lá entender porquê... insistes em chamar ICAMOCAMÉ a estes animais!
E agora já te ris, já sabes que não é assim, mas sacanita dizes contente: ICAMOCAMÉ!!



Suspeito que esta mãe também está como a tua hoje...

16 novembro 2009

Éden à L' Ouest



Éden à L' Ouest
Realizador: Costa-Gavras


Filme de viagens e teimosia.
Filme cheio daquelas pessoas que encontramos em viagem, e que sem qualquer razão razoável nos ajudam e consolam muito mais do que imaginam.

3 Cantos



Explicaste-me assim...
Vês como eles se sentam de forma diferente?
O Sérgio é o mais descontraído. Pernas à banda.
O Zé Mário Branco, perna cruzada, é mesmo intervenção.
O Fausto senta-se mesmo com a postura técnica de guitarrista, concentrado.
Vês como eles são diferentes? (escreves isso no blog? sorriste azul)

E aprendi contigo. Aprendi com eles. Cantei contigo. E com eles.
É como se um fôlego muito grande entrasse. Coragem.

Música na cabeça



Muito, muito ao meu jeito.

The Brothers Bloom
Realizador: Rian Johnson

Sorte


Tive a sorte de crescer tranquila.
Tive a sorte de crescer entre pessoas raras.
Raras mesmo.
Não me lembro de sentir ansiedade sobre mim, crescer foi um tempo aberto, livre.
Sempre soube que as minhas idiossincrasias, por mais desastradas, distraídas, teimosas ou frágeis tinham lugar para existir, sem que esperassem que eu fosse de outra forma.
Vejo muito adultos falarem dos filhos como se eles se substituíssem a si próprios ou ao casal, como se as qualidades deles fossem sua obra ou um qualquer prolongamento do seu orgulho, ou ainda como se qualquer pequeno imprevisto pudesse ter uma importância desastrosa sobre as crianças. Que raio...
Ouvi vezes sem conta que tinha a obrigação de dar o meu melhor, mas que existiriam sempre outros melhores que eu, e até com bem menos esforço.
E se custa ouvir isto...

Os casais que mais gosto falam pouco de si. Transparecem apenas.

10 outubro 2009

Receber (alguma coisa)

Herdei dois objectos do meu avô Mateus.
Dois objectos, e eu não tive nada a ver com a sua escolha. Nem o meu avô.

1) a caixa de ferramenta amarela (vazia, que o avô também não me ofereceria cheia, as ferramentas devem ser escolhidas por cada um, conforme o seu jeito e segundo (sempre) as suas necessidades (e não mais).

2) a máquina de escrever (gasta, com letras a sumir-se. que a minha avó já me explicou que ele colocava, à noite, em cima de uma mesa, com o candeeiro de óleo ao lado, para passar a limpo teses de alunos e professores... para ganhar um pouco mais de dinheiro)


Eu não escolhi. Ele não escolheu.
(mas outras pessoas sabiam que nem eu, nem ele, escolheríamos outras coisas que não estas duas!)























figos e jeropiga, também me lembrarão sempre de ti

23 setembro 2009

passagem de pensamentos I

Nunca.
NUNCA ninguém se deveria sentir dono do trabalho dos outros!





















Yves-Klein-Anthropometry

passagem de pensamentos II

A minha avó perguntou se eu não devia ter uma empregada para ajudar na casa.
- Disse-lhe, distraída, que para já não estava a pensar nisso.

Eu estava a lavar a casa-de-banho a pensar... porque é que eu tenho de fazer isto?...
Não sei bem porquê, nesse momento, passou-me pela cabeça que:
- dois corpos que se cruzam à volta de um fogão.
- quatro mãos que penduram um estendal.
- idas e vindas e gargalhadas à volta de um armário ou uma solução que ainda não temos.
- birras de quem arruma o quê.
- zangas de aspirador.
- ...

Essas coisas privadas. Essas coisas devem conferir alguma "vantagem evolutiva", alguma resistência acrescida, alguma graça cúmplice.


Sharon Beals

02 setembro 2009

barriga contente de férias

post em 2 minutos










Tinha antipatia pela história da cigarra e da formiga.
Em pequena tinha pensamento meio ruminante em relação às músicas e às histórias.
De músicas lembro-me de tentar descobrir que casa era aquela "Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto não tinha nada..."
De histórias, entre outras, lembro-me desta.
A cigarra era parva, mas a formiga era CHATA!
Não devia haver só estas duas hipóteses.

Enfim... nos últimos dias tenho tido especial irritação por formigas.
E não falo em metáforas.

09 agosto 2009

Casa

Como se faz uma casa?
Ao nosso jeito. Meu e teu.
Não esquecendo as tropelias do Botas.
Nem os vasos de flores que eu vou experimentando, sol ou sombra.
As minhas faltas de jeito, as minhas fúrias.
As tuas migalhas, os teus sapatos 47.
A água amarela, as torneiras que pingam.
O sofá azul que o João emprestou.
A mesa, a estante que nós montámos.
As mesas que, medidas feitas, construímos e que depois pintámos.
As pessoas que recebemos.
A porta que fechamos nos dias em que esquecemos que o mundo existe.
As persianas que fechamos quando viajamos.
Os nossos livros, a nossa música.
O sol, muito sol pela varanda.
A roupa que se estende.
O som do ladrilho debaixo das corridas do Rafael.
As tuas guitarras.
O berimbau de boca que me enviaste para S. Tomé.

Assim é muito bom... mas,
Pela tua mão não me importava de não ter casa nenhuma!

domingos


Escolhi para perfil deste blog:
“existem os domingos de manhã (...) em que sente uma dor fina por dentro, como o frio, em que não consegue sorrir; e existem os domingos de manhã em que acredita numa certeza solar que a enche." outros domingos e "agarra na caixa dos brinquedos, levanta-a no ar e ENTORNA-A no chão da sala" ( !!! ) de: José Luís Peixoto

Escolhi porque tem a ver comigo, esta definição de 2 personagens diferentes do “Cemitério de Pianos”.
Também sou assim no trabalho.
Estranhamente, escolhi uma especialidade em que não sou só eu que me sinto assim, atrevo-me a dizer que somos muitos. Medicina Interna:
- Existem aqueles dias em que há uma convicção enorme de que é a melhor especialidade que existe!
(porque tudo se integra, tudo é conhecimento, tudo é descoberta)
- Existem os outros dias em que juramos repetir o Exame e mandar tudo para o espaço!
(porque dormirmos no hospital, porque ninguém reconhece, porque tudo é demasiado).

Ontem foi dia Urgência e de esgalhar a trabalhar, sair moída, mas com a sensação de “missão cumprida”!

Hoje é domingo e apetece, como diz o ZF, “fazer pouquinho-pouquinho”.
Só é pena que não pode ser. “Trabalha que para ti é”, já ouvi hoje.

14 julho 2009

Novidade

A verdade é que tenho alguma tendência para os gostos caros.
Se calha de alguma coisa, por acaso, chamar a minha atenção... um casaco, um aparelho electrónico, uns (ai que eu detesto procura-los) sapatos... com grande frequência: É caro!
Acho que consigo perceber as linhas do que é bem desenhado, bem construído, bonito.

É mais verdade ainda que quase nunca compro caro.
Viro as costas e penso “É caro. Não se justifica!”
Se a tentação é muito grande esforço-me por pensar “Não precisas disto agora. Não tens urgência nenhuma. Se quiseres mesmo, passas cá num outro dia, não vai desaparecer.”
E afasto-me e quase-quase nunca lá volto!
E qualquer coisa se acalma cá dentro.

A verdade é que não tenho o fascínio da última tecnologia. Não tenho.
Não consigo ver, objectivamente, o motivo de existirem preços tão diferentes de umas marcas para as outras.
Não sei como o último modelo pode ser o dobro do preço do anterior.
E penso... "Não imaginas tu que isto vá durar a tua vida toda, pois não?"

- Era o modelo anterior, e de marca Portuguesa, por favor!

Decido e novamente: equilíbrio.
E gozo toda a novidade!
Bem robusto. PDA.

25 junho 2009

Hermeto Pascoal e Aline Morena



Foi no Centro de Artes e Espectáculos de Sever do Vouga
no dia 20 de Junho, 2009

Hermeto Pascoal é compositor arranjador e multiinstrumentista brasileiro (toca acordeão, flauta, piano, saxofone, trompete, bombardino, escaleta, violão e muitos outros instrumentos musicais). Marca presença em concertos de jazz mundo fora.

Basicamente tudo-tudo lhe serve para improvisar música.
E tudo é pretexto para falar mais um pouco, sempre com carinho, com o público.
Concerto com chapinhar de água e bater de sapatos e piano e de acordeão e bonecos a pilhas com sons, e aqueles cornos do Pantanal e com copos de papel e com papeis metalizados e com pianola daquelas que só me lembro de miúda.
Este homem tem o mundo todo da música e dos sons com ele.
E Aline dá-lhe luta e cumplicidade.

Sementes de um Povo que Canta



HOMENAGEM A MICHEL GIACOMETTI
No TAGV, no dia 18 de Junho 2009

Espectáculo com a participação de:
Brigada Victor Jara
Diabo a Sete
Quarto Minguante
Realejo
Roncos e Coriscos



Fico intrigada. Muito intrigada.
Como surge a música? De onde está ela a aparecer agora?
Vê-se mesmo que eles estão a gostar de a tocar, de a cantar. A música deles. É deles!
Como se compõe uma música? Uma música assim, como é?
E os instrumentos, são tantos e tão diferentes. E eles sabem tocar tudo, mas como?

Ah... tão bonitos ali no palco. Eles e elas.
Ah... eu queria perceber, mas distraio-me e fico só a gostar a gostar, a dançar com o pé.


Na imagem é a Julieta, dos Diabo a sete. Sabe sempre tão bem ouvir-vos.

Summer Hours



TEMPO DE VERÃO

Realizador: Olivier Assayas


Um filme sobre absolutamente nada.
Nada do que esperamos com os nossos tiques de espectadores "bem" treinados acontece. Nada. E não parece querer transmitir nada.
Gostei muito.

foi no TAGV, 15 de Junho de 2009
elenco Juliette Binoche, Charles Berling, Jérémie

(em tempos de zanga com o cinema desta cidade!)

15 junho 2009

Berlim - CocoRosie




no ASTRA KULTURHAUS
Um ambiente muito informal, muita gente sem pretensões de parecer bonita ou na moda.
Música apenas.

Raphael - Coco Rosie

Berlim - inteligente

STAATS BIBLIOTHEK - Hans Scharoun



Wim Wenders - As Asas do desejo. E estivemos onde o filme foi filmado.
E eu que gosto tanto deste filme. Fechei os olhos e tentei imagina-los ali.

Berlim - grandiosa

PHILHARMONIE - Hans Scharoun

De dia...


À noite...

(esta foto não é minha)

Berliner Philharmoniker tocou:
- Richard Strauss
- Elliott Carter

O JL disse-me hoje: aquele edifício mexe, incrível ter sido todo desenhado a caneta (sem nada a computador). Espantei-me, é que mexe mesmo! Dança.
O concerto foi uma maravilha. Sempre a seguir cada som, muito atenta. Magia. Fascinação.

Berlim - apetecida



Chegámos e dissemos "Em Berlim não sentimos mesmo falta nenhuma do carro, pois não?"
Claro que não! Metro de superfície e metro subterrâneo, tram e autocarros. A todo o instante, para todo o lado. Milhares de bicicletas, que também podem entrar nos transportes públicos.
Em Berlim vêem-se centenas de carrinhos de bebé, os pais brincam com os filhos com ar sereno nos parques (porque há muitos parques e zonas verdes), andam com eles nas cadeiras das bicicletas ou em panos enrolados no peito.
Em Berlim não se sente insegurança. Nem quando as ruas são muito escuras e andamos fora dos circuitos previsíveis.

Berlim - sofrida



HOLOCAUST MAHNMAL
Belim decidiu não esquecer.