
Pelas 11 da manhã de Domingo estava eu empoleirada em cima da chave que serve para abrir os parafusos do pneu. Os meus 49kg (surpreendentemente para mim) estavam a chegar para os rodar. Um pouco apenas, tendo o cuidado para não me desequilibrar (como avisava o manual de instruções… categoria de coisas à qual não sou nada dada, mas hoje decidi que o lia e seria para “não mais o repetir”).
Chegou um homem, das bombas, simpático perguntou se precisava da ajuda. Foi preciso dizer-lhe que não, não mesmo… é que eu estava numa “aula” de mecânica. Sim porque essas coisas é melhor aprender num dia por vontade, do que noutro por obrigação e longe de casa (ponho-me logo a imaginar: noite cerrada, temporal na estrada e eu a tentar mudar o pneu sem nunca ter visto o preciso macaco – podiam ser todos iguais, mas não! - nem todas as coisas que vêm naquela malinha). Ele estranhou, deve ter pensado “com aquela cara de menina, claro está que na hora H grita e pede ajuda!”
Ao que aparece fui aprovada na aula.

Pelas 11 da noite de Domingo estava eu decidida a estacionar num pequeno lugar. Pisca. Parar. Começar marcha-atrás. Um homem, que devia trabalhar naquele café resolveu parar. Ficou parado no passeio, pernas abertas, mãos na cintura. Escapou-se-lhe um sorrisinho gozão pelo canto da boca esquerdo. Fiz de conta que não o vi. Deve ter pensado “com aquela cara de anjo coitada, vai desistir”. Ao pensar no que ele estaria a congeminar fiz a minha cara de má. Ele lá ficou a ver como me desenrascava. Bati a porta com força, afastei-me decidida de um dos melhores estacionamentos dos últimos dias, colado ao passeio.
Nota final: expressões como "cara de menina" ou "cara de anjo" obviamente não são da minha autoria ou agrado.
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