
Curiosidade.
Curiosidade de há muito tempo atrás.
Alguém que tinha dito “é muito bom…”
Curiosidade guardada, quase esquecida, por vezes acordada, estremunhada… adiada.
Ontem encontrada. Ontem escusada.
Hoje escolhida.
OS RESPIGADORES E A RESPIGADORA.
Um documentário muito mais que bonito. Muito mais que cruel. Muito mais que certo.
Consigo encontrar o mais fabuloso cinema.
Consigo encontrar a mais dura realidade (que mais uma vez digo “É preciso ver! É preciso saber!”)
Consigo encontrar uma certa cumplicidade, uma cumplicidade que corre em mim e vem de gerações… gostar de armazéns, de peças pequenas, de objectos abandonados, ferrugem, da delícia das lojas de ferragens… olhar para as coisas e querer recuperar-lhes vida. Parece que o coração se apressa. Apressa-se de vontade de os levar comigo, de lhes encontrar novos sentidos. Às vezes apenas porque têm graça. E essa graça não consigo explicar.
O gosto pelas prendas feitas… de coisas que não serviam para prenda, não serviam para nada.
Muito mais que certo. Porque é certo saber. Verdade.

foto: Agnès Varda, a realizadora e argumentista.
quadro: Des glaneuses de Jean-François Millet
1 comentário:
Concordo ctg, o filme é fabuloso
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