
Sabem não fazer nada dando a ideia de que fazem muito.
Aparente competência.
Sabem nunca estar quando são precisos e estar sempre quando são notados.
Sabem guiar uma conversa para onde lhes interessa, uma discussão para a área que dominam, esquivando-se elegantemente ao que lhes foi perguntado.
Sabem ser simpáticos, bajuladores, interessantes. Sabem dar pancadinhas nas costas, dizer os mais mentirosos elogios.
Sabem vestir-se, comportar-se, movimentar-se entre os demais.
Sabem dizer meia dúzia de banalidades sobre qualquer assunto com o ar mais inteligente e culto deste mundo.
Sabem informar-se, sabem sempre o que é mais perguntado, o que deve ser respondido e como deve construída a resposta. Sabem o que o professor detesta (ainda que seja a técnica mais que aprovada para a questão. Se o professor não gosta não evitam nomeá-la, dizem mal, muito mal dela!). Não perdem tempo a estudar tudo, poupam-se.
Sabem dar uma airosa facadinha em quem se cruza à frente.
Sabem falar da sua vida. Sabem encher a descrição. Sabem competir no “sou mais bem sucedido que tu”. E falam muito sobre si.
Falam-falam-falam. Seduzem.
Gostam de cinema, de teatro, de pintura e de literatura.
Sabem viver.
Sei-os rotos-rotos.
Tão rotos que não tenho a menor paciência, a menor vontade de os confrontar. E não confronto.
Sei-os rotos.
Ai mas dá-me uma inveja, às vezes!!!! Sincera inveja. Sabem viver!
2 comentários:
inveja não... a mim costuma-me dar mais para o desprezo, o que também não é um sentimento muito adequado. Não sei se sabem mesmo viver. Não acho que se consiga ser muito feliz assim, só que só se percebe passados uns anos...
beijinho
Filipe
oscilo entre a inveja e a enorme convicção de que, ainda que conseguisse, não o faria.
mas nos dias em que estou zangada invejo.
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