
Urgência. Há umas semanas atrás. Eu estava no meu primeiro dia. Acompanhava um médico ruivo, de pele clara, de jeito tímido. Russo. Inteligente. Exigente. Concentrado. Uma vez por outra não resistia a um sorriso, mas ficava quase atrapalhado.
Estávamos os dois em frente ao computador. A tentar registar dados de um doente, e o computador estava a demorar uma eternidade a seguir de procedimento para procedimento. Ficámos os dois, caras pálidas, a olhar sem jeito para o ecrã… ainda sem confiança para quebrar o silêncio das esperas. Posso dizer que estávamos pascácios os dois (é uma palavra que aprendi aqui na terça-feira! Quer dizer qualquer coisa como perdidos algures num lugar sem pensamentos, de olhar vago e fixo) Ele suspirou… suspirou dos doentes que ainda havia para ver, das horas que ali são lentas… lentas de muito cheias, de muita informação. Mas eu disse alegre “Este computador é anti-stress!”. Ele olhou para mim naqueles olhos esverdeados, incrédulo ao que eu havia dito. E eu continuei, “é tão lento que mais vale aceitar isso como um facto e aproveitar para descansar um pouco nos intervalos que ele nos dá.”. Ele aí riu-se, sem saber se achar um absurdo o que eu dizia.
Afinal é só uma forma de dar a volta à questão, mas resulta.
Não faz muito sentido criar máquinas tão rápidas que o resultado seja andarmos sempre mais e mais rápido mas sempre a sentirmo-nos impacientemente lentos.
imagem de The Best Photo Books of the Year: Daddy, Where Are You? By Tierney Gearon
1 comentário:
"Computador anti-stress" - o Bill Gates é que ainda não se lembrou disso...
Gostei da ideia de aproveitar as pausas, mas a minha impaciência não deixa. :)
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